Vejo, na prestigiada coluna de Abelardo, ilustre e querido confrade, que o escritor Mário Hélio pretende se candidatar à vaga na APL: Academia Paraibana de Letras, aberta com o falecimento do saudoso Chico Pereira.

Não tenho nome melhor e vou dizer por que.

  • Paraibano de Sapé, com residência em Recife e João Pessoa, Mário Hélio Gomes é historiador e antropólogo, além de fino crítico de cultura, em especial, das artes literárias e pictóricas.

Conhece, como poucos, a obra do genial Gilberto Freyre, tendo publicado quatro livros de refinada erudição acerca do homem de Apipucos, a saber:

  1. Gilberto Freyre: educador;
  2. Casa Grande & senzala: o livro que dá razão ao Brasil mestiço e pleno de contradições;
  3. O Brasil de Gilberto Freyre e
  4. A história íntima de Gilberto Freyre.

Mário Hélio ainda é autor da obra Cícero Dias: uma vida pela pintura, entre outras publicações pontuais, como ensaísta, poeta e crítico literário.

  • Causer brilhante e editor das revistas de cultura Pernambuco e Continente multicultural, função que exerce com competência, criatividade e critérios éticos regendo a linha editorial, sobretudo, quando se volta para a presença de intelectuais e artistas da Paraíba e do Nordeste.

Lucy Alves, Raul Córdula, Sérgio de Castro Pinto, Flávio Tavares, Chico Pereira, Elizabeth Marinheiro, Thélio Farias, entre outros, ocuparam páginas privilegiadas desses importantes órgãos de cultura.

  • Mário Hélio integra o quadro de sócios da APL: Academia Pernambucana de Letras, e, à semelhança de nomes, como o já referido Raul Córdula e Jomard Muniz de Britto, sempre soube fazer a ponte necessária entre Paraíba e Pernambuco no que concerne à cena cultura e literária.

Mestre em História pela UFPE, Universidade Federal de Pernambuco, e doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca (Espanha), Mário Hélio sabe aliar os ingredientes de sua formação acadêmica aos vocativos mais fluidos e mais abertos do jornalismo cultural e literário.

  • Sua escrita, para quem leu e lê seus ensaios críticos disseminados por diversas publicações, revela a tonalidade daqueles que falam com conhecimento de causa, alicerçado pela solidez de teorias pertinentes e, acima de tudo, pelo brilho e pelo rigor da melhor palavra disposta no melhor lugar possível, como queria Coleridge no âmbito mais sagrado da composição poética.

Não tenho dúvidas: Mário Hélio é o nome certo para ocupar a vaga do artista e organizador da cultura, Chico Pereira.

O próprio Chico Pereira, em outras circunstâncias, provavelmente sufragaria o nome dele, pois dele era amigo e grande admirador.

Estou na APL, vai fazer 27 anos, e sempre defendi a ideia de que a ilustre e vetusta Casa de Coriolano de Medeiros deve ser rigorosa na escolha daqueles que podem ocupar as suas respectivas Cadeiras.

  • Candidatos que a dignifiquem e que a tornem mais respeitável perante si mesma e à sociedade.

Que solidifiquem, cada vez mais, a imagem da instituição enquanto templo da memória, do saber, do pensamento crítico e da criatividade.

  • Pois bem: o jornalista e escritor Mário Hélio, no meu modo de entender, reúne essas credenciais e vem para somar e conviver.

Terá meu apoio e meu voto, sim. HBF.

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