A Coordenação Geral do Projeto BINGO–ABDUS vem a público prestar esclarecimentos e corrigir informações veiculadas de forma parcial e imprecisa em matérias jornalísticas e televisivas recentes, que tendem a distorcer o verdadeiro escopo, a natureza e a finalidade deste empreendimento científico.

  • Tais abordagens não refletem o conceito real do projeto, que se destina exclusivamente à construção e operação de um radiotelescópio no Nordeste brasileiro, no âmbito de acordos de cooperação científica e acadêmica entre universidades do Brasil e da China.

Por meio desta nota, reafirmamos os princípios que orientam o projeto e destacamos sua natureza, alcance e significado para a sociedade brasileira.

  • Cumpre registrar, inicialmente, que o título da matéria publicada pela agência de notícias Reuters — “China and Brazil create joint space laboratory, despite US pressure” — adota um enquadramento sensacionalista que não corresponde à realidade institucional, científica ou política do Projeto BINGO–ABDUS.

O Brasil é uma nação soberana, organizada sob a forma de República Federativa, na qual os Estados-membros e o governo central atuam em estrita conformidade com a Constituição Federal.

A liberdade científica e a cooperação internacional pacífica constituem princípios consagrados da política nacional.

O Projeto BINGO–ABDUS é concebido, conduzido e executado à luz desses princípios, sem subordinação a interesses externos de qualquer natureza.

  • O Projeto BINGO (Baryon Acoustic Oscillations from Neutral Gas Observations) é uma iniciativa científica de origem brasileira, idealizada por pesquisadores nacionais ainda antes da década de 2010, a partir de programas de pesquisa em física, cosmologia e astrofísica desenvolvidos em colaboração com instituições do Reino Unido — seu principal parceiro inicial —, bem como da França, Itália, Alemanha, China e África do Sul.

Sua concepção formal ocorreu no Brasil, em 2016, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), consolidando-se como um dos mais relevantes projetos de big science atualmente em desenvolvimento no país.

A governança do projeto reflete de modo inequívoco essa origem.

O comitê gestor é majoritariamente composto por cientistas brasileiros e chineses, contando com cinco pesquisadores do Brasil e um da China, sendo a coordenação geral exercida por um cientista brasileiro.

  • As reuniões de gerenciamento incluem atualmente outros dois pesquisadores chineses e um brasileiro, além do apoio técnico de duas engenheiras, uma administradora e uma secretária — todas brasileiras.

Dois dos cientistas brasileiros envolvidos no projeto encontram-se, no momento, atuando em instituições chinesas.

  • As demais equipes técnicas, administrativas e operacionais são igualmente formadas, em sua maioria, por profissionais brasileiros, reafirmando o caráter nacional do empreendimento, aliado a uma cooperação internacional aberta, equilibrada e baseada na igualdade entre parceiros.

A escolha do local para a instalação do radiotelescópio resultou de criteriosa prospecção científica, orientada por exigências rigorosas de silêncio radioelétrico.

  • Essas condições foram encontradas de forma excepcional na Serra do Urubu, na zona rural do município de Aguiar, no Sertão do Estado da Paraíba.

A implantação do BINGO nessa região representa não apenas um marco científico, mas também um vetor estruturante de desenvolvimento social, educacional e econômico, com impactos diretos na formação de estudantes, na geração de empregos qualificados, na dinamização da economia local e na interiorização da ciência de ponta no Brasil.

Do ponto de vista científico, o BINGO tem como objetivo observar, na faixa de rádio, as Oscilações Acústicas de Bárions (BAO), vestígios fundamentais da formação primordial do Universo.

Essas medições permitirão avanços decisivos na compreensão da matéria e da energia escuras, que compõem cerca de 95% do conteúdo do cosmos, posicionando o Brasil na linha de frente da cosmologia observacional contemporânea.

  • Desde sua concepção, o projeto desenvolve-se em regime de colaboração internacional aberta, transparente e orientada pelo interesse público.

É natural — e desejável — que um empreendimento dessa envergadura produza desdobramentos tecnológicos em áreas como instrumentação científica avançada, eletrônica de precisão, radiofrequência, processamento de dados e engenharia de sistemas complexos.

Negar essa dimensão tecnológica seria condenar o país à dependência permanente.

O BINGO–ABDUS, ao contrário, afirma a ciência como instrumento de soberania, desenvolvimento e dignidade nacional.

  • Os impactos sociais e educacionais do projeto são amplos e serão objeto de manifestação específica.

Nesse contexto, os memorandos de entendimento mencionados na matéria da Reuters referem-se exclusivamente a acordos acadêmicos e científicos firmados entre universidades e centros de pesquisa do Brasil e da China — incluindo a Universidade Federal da Paraíba — com o objetivo de viabilizar projetos colaborativos específicos, notadamente os projetos BINGO e ABDUS, além do intercâmbio de pesquisadores, estudantes e da realização de atividades acadêmicas conjuntas.

  • Não se trata, portanto, da criação de um “laboratório espacial conjunto”, mas de cooperação científica internacional nos moldes consagrados pela prática acadêmica global.

A participação de instituições e empresas chinesas, como a CETC, ocorre em várias áreas técnicas, como a fabricação de antenas do tipo corneta.

  • O projeto original dessas antenas foi desenvolvido por cientistas brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade de São Paulo, tendo sido inicialmente concebido por um cientista brasileiro então professor em Londres.

Posteriormente, o projeto foi aprimorado por meio de cooperação internacional.

  • A eletrônica e os demais subsistemas seguem a mesma lógica de acordos formais, transparentes e plenamente auditáveis.

O Projeto BINGO–ABDUS conta com financiamento e apoio de diversas fontes brasileiras, incluindo a FAPESP, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ-PB), o Governo do Estado da Paraíba, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), além de parcerias internacionais.

  • Trata-se, portanto, de um projeto de Estado, orientado ao interesse público, à formação científica e ao progresso tecnológico.

Atualmente, um de seus principais vetores institucionais é o Governo da Paraíba, sob a liderança do governador João Azevêdo e do secretário de Ciência e Tecnologia, professor Cláudio Furtado, com contribuição igualmente relevante de parceiros chineses.

  • Cabe destacar, ainda, a liderança científica do professor Élcio Abdalla, coordenador geral dos projetos BINGO–ABDUS.

Professor titular da Universidade de São Paulo, com trajetória acadêmica de reconhecimento internacional, o Prof. Abdalla recebeu distinções relevantes, incluindo premiação científica em Trieste, do Instituto Abdus Salam.

  • Sua recente indicação como presidente da seção “Astronomia, Gravitação e Cosmologia” do BRICS reflete o reconhecimento de sua liderança intelectual e de seu papel estratégico na articulação científica internacional do Sul Global.

  • Sob sua coordenação, o BINGO–ABDUS consolidou-se como um polo de cooperação científica de alto nível, fundamentado no diálogo, na paz e na produção de conhecimento em benefício da humanidade.

Por fim, reafirmamos que o Projeto BINGO–ABDUS é um empreendimento científico de grande complexidade, que não pode ser adequadamente descrito por narrativas simplificadoras ou ideologicamente orientadas.

  • Repudiamos a disseminação de desinformação e de notícias falsas que atentam contra a soberania científica do Brasil e contra o direito da sociedade ao conhecimento.

Mantemos, como sempre, uma postura de transparência, idoneidade e abertura ao diálogo com os meios de comunicação comprometidos com os fatos.

Assim, subscrevemos esta nota.

  • João Pessoa, 19 de janeiro de 2026

Élcio Abdalla
Coordenador Geral dos Projetos BINGO–ABDUS

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