Panorama Econômico 2026 reúne lideranças e especialistas para discutir juros, inflação, planejamento e os desafios do novo ciclo econômico.

  • O LIDE Paraíba abriu oficialmente a agenda de 2026, nesta última quinta-feira passada (dia 29), com a realização do evento Panorama Econômico 2026, no Espaço XP, onde reuniu empresários, gestores públicos e lideranças para um debate aprofundado sobre os rumos da economia brasileira, os desafios do ambiente de negócios e a importância do planejamento em um cenário de juros elevados, crédito restrito e maior exigência por eficiência.

Ao dar as boas-vindas aos participantes, o presidente do LIDE Paraíba, Gabriel Galvão, destacou que o início do ano simboliza um novo ciclo de decisões estratégicas.

Segundo ele, 2026 exigirá atenção redobrada das lideranças.

  • “Este é um ano para quem não se distrai. Teremos eleições, Copa do Mundo, muitos feriados e um ambiente econômico mais turbulento, que não permite improvisos”, afirmou.

Para o presidente, abrir a agenda anual com um panorama econômico é uma forma de preparar empresários para decisões mais conscientes.

  • “A ideia foi trazer especialistas que ajudassem o empresário a entender o cenário, se programar e compreender como o mercado deve se comportar ao longo do ano, além de reforçar a importância do planejamento, da governança e dos projetos dentro das empresas.”

Economia global e reflexos no Brasil

  • Durante sua apresentação, o estrategista de mercado da XP Investimentos, Rafael Lins, destacou que a economia brasileira não pode ser analisada de forma isolada.

“O Brasil é uma república independente, mas não isolada do mundo. A nossa economia depende muito do que acontece lá fora”, afirmou.

Ele lembrou que os impactos do pós-pandemia ainda moldam o cenário atual.

  • “O mundo ficou inflacionário no pós-pandemia com a quantidade de dinheiro que foi colocada na economia, e isso tem consequências até hoje”.

Conforme explicou, esse movimento global influencia diretamente as decisões internas de política econômica.

  • Ao analisar o comportamento da inflação no Brasil, o especialista observou que, apesar da desaceleração dos índices gerais, há pressões persistentes.

“A inflação vem diminuindo no Brasil, mas a inflação de serviços ainda está extremamente alta, principalmente por causa da escassez de mão de obra”, disse.

  • Em sua análise, esse fator afeta diretamente as negociações entre empresas e trabalhadores.

“A negociação salarial ficou mais difícil porque as pessoas exigem aumento real, e isso pressiona diretamente a inflação de serviços”.

  • “Dependendo da atividade, algumas inflações impactam muito mais do que outras no dia a dia das empresas”.

Sobre a política monetária, Rafael Lins frisou que o mercado observa atentamente as decisões do Banco Central e, principalmente, a forma como elas são comunicadas.

  • “Mais importante do que a decisão da taxa de juros é o discurso do Banco Central. É o que ele fala que faz o mercado precificar o futuro”.

“A taxa de juros foi mantida em 15%, mas com um recado claro de que os cortes devem começar a partir do próximo ano”.

  • “O custo do capital é muito alto para tirar dinheiro do banco e colocar no estoque, e a taxa de juros pesa na decisão cotidiana das empresas”.

Ao falar sobre o comportamento do dólar e do fluxo de capitais, Rafael Lins explicou que o movimento recente está ligado à realocação global de investimentos.

  • “O dólar está caindo porque o mundo está reduzindo posições nos Estados Unidos e diversificando investimentos em mercados locais, como o Brasil”, afirmou.

Ainda assim, ponderou que, estruturalmente, a moeda americana tende a se valorizar.

  • “No longo prazo, o dólar sempre tende a subir por causa da diferença estrutural entre a inflação brasileira e a americana”, observou, ressaltando que, no curto prazo, o mercado reage muito mais a expectativas.

“O preço do dólar hoje se move muito mais por expectativas do que por fundamentos.”

  • Na avaliação de investimentos, Rafael Lins reforçou a importância da cautela e da gestão de risco.

“Tudo tem preço, inclusive a renda fixa, e os preços se movem por expectativas”, afirmou.

Para ele, ninguém tem controle absoluto sobre o mercado.

  • “Gestão de risco é entender que ninguém é dono da verdade. Ninguém sabe se o dólar ou a Bolsa vão subir ou cair”.

“A alta recente da Bolsa brasileira é, em grande parte, capital especulativo. Quando esse dinheiro quiser sair, ele sai”.

  • “Se você ganhou muito acima da média histórica, faz sentido pensar em proteção. No mercado financeiro também existe seguro”.

Gestão de riscos, crédito e sobrevivência das empresas

  • Na sequência, o administrador e conselheiro de administração pela FDC, Márcio Gomes, trouxe uma reflexão direta sobre gestão empresarial e planejamento e destacou que o ambiente econômico atual tornou o erro muito mais caro.

“Nunca parem de estudar o negócio de vocês e nunca parem de estudar o próprio CPF, porque hoje a linha entre a vida pessoal e a vida empresarial é muito tênue, e qualquer erro de gestão acaba impactando os dois lados”, afirmou.

Para ele, o mercado se tornou implacável com a falta de preparo.

  • “O empresário que diz que não tem tempo para se qualificar está morto, mas ainda não sabe disso”.

“Quem vai mostrar isso é o mercado, porque o ambiente econômico ficou mais competitivo, mais caro e muito menos tolerante ao erro”.

  • Márcio Gomes ressaltou que decisões equivocadas têm impacto direto no caixa e no acesso a crédito.

“Hoje em dia, errar custa muito caro, porque uma decisão errada pode comprometer o caixa, o crédito e o relacionamento com o banco”, afirmou.

  • Segundo ele, a competitividade das empresas está diretamente ligada à qualidade dos projetos que elas executam.

“Para o negócio continuar competitivo, rentável e gerando riqueza, ele depende diretamente da implantação de bons projetos. Isso não é opinião, é ciência”.

  • “O custo do erro hoje é alto demais para quem não planeja, e planejar dá trabalho, exige método e tempo”.

Ao citar dados sobre desempenho empresarial, Márcio Gomes chamou atenção para falhas estruturais no país.

  • “No Brasil, apenas 64% das empresas atingem os objetivos definidos em seus projetos, o que mostra que a maioria falha não por falta de esforço, mas por falta de método”.

“Para cada 1 bilhão de dólares investido em projetos no mundo, em média, 119 milhões são desperdiçados, e na América Latina esse número sobe para 122 milhões”, disse, acrescentando que, no caso das obras, os problemas são ainda mais evidentes.

  • “Existem projetos em que o cronograma estoura até 220% entre o planejado e o entregue, e quando isso acontece, alguém precisa pagar essa conta.”

Governança como condição mínima

  • De acordo com Márcio Gomes, o sistema financeiro tem sido cada vez mais rigoroso.

“Hoje, banco não respeita sobrenome, não respeita história nem tradição. O banco respeita competência, planejamento e gestão de risco bem feita”.

  • “Gerenciar riscos hoje não é mais um diferencial. É uma condição mínima de sobrevivência das empresas”, concluiu.

O Panorama Econômico 2026 marcou o início da agenda anual do LIDE Paraíba, o que reforça o compromisso da entidade em promover debates estratégicos, fortalecer conexões e apoiar líderes na tomada de decisões mais responsáveis e alinhadas aos desafios do futuro.

Sobre o LIDE Paraíba

O LIDE – Grupo de Líderes Empresariais – está presente em mais de 20 países, promovendo fóruns, congressos e encontros de relacionamento que reúnem os principais nomes do setor produtivo.

  • Na Paraíba, a proposta é fortalecer a integração entre lideranças locais, gerar oportunidades e fomentar um ecossistema empresarial cada vez mais dinâmico e inovador.

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