
Para o presidente do Instituto Ranking PB (IRPB), diretor de Expansão do Creci-PB e membro do Conselho do Sinduscon, Alisson Holanda, a mobilidade urbana passou a ser um dos principais indicadores de competitividade das cidades, especialmente em destinos turísticos.
- O empresário também ressalta que a requalificação das vias periféricas é um movimento fundamental para descentralizar a economia local.
Segundo ele, ao pavimentar e iluminar acessos em áreas como o Litoral Sul e o entorno do Parque da Cidade, a gestão cria novas “centralidades”, o que permite que o desenvolvimento chegue a quem mais precisa.
- “Integrar o Valentina e as praias do Sul ao eixo turístico vai além de ser apenas uma obra de asfalto; é uma obra de inclusão social e econômica”.
“Você retira o fluxo desnecessário dos corredores saturados e estimula o comércio nos bairros, fazendo com que a cidade cresça de forma policêntrica e mais equilibrada”, avalia Holanda.

- O Conselheiro do Sinduscon reforça a importância da sustentabilidade e da mobilidade ativa como diferenciais competitivos para a capital paraibana nas próximas décadas.
Para Alisson Holanda, a implementação de ciclovias e calçadas acessíveis, mencionada pela Seinfra, coloca João Pessoa em um patamar de modernidade alinhado às grandes metrópoles globais”.
- “Não podemos mais pensar o trânsito apenas sob a ótica do automóvel. A infraestrutura que convida ao uso da bicicleta e à caminhada gera uma ocupação mais humana dos espaços públicos”
“João Pessoa está redesenhando seu futuro ao entender que vias eficientes são aquelas que funcionam para todos os modais, garantindo uma capital vibrante, segura e pronta para os desafios do amanhã”.
Limites físicos e inteligência urbana
João Pessoa enfrenta um desafio adicional por ser uma das capitais mais antigas do país, com traçado urbano estabelecido e limitações geográficas entre rios e o mar.

- Para Rubens Falcão, secretário municipal de Infraestrutura de João Pessoa, isso exige soluções que vão além do alargamento de vias.
“O limite físico não significa limite de fluidez”.
- “Onde não podemos expandir lateralmente, investimos na requalificação do pavimento, sinalização inteligente e obras de transposição. O futuro da mobilidade passa pela inteligência urbana e pela inversão de prioridades”, afirma.
Essa inversão inclui investimentos em ciclovias, calçadas acessíveis e preparação para a implantação de corredores de transporte coletivo, como o sistema BRS (Bus Rapid System), que deverá priorizar ônibus em faixas exclusivas nos principais eixos da cidade.
- Sobre a capacidade de antecipação da pasta, o secretário Rubens Falcão explica que a capital paraibana vive uma transição de modelo, saindo de uma atuação meramente reativa para uma gestão fundamentada em dados e resiliência.
Segundo o secretário, embora a manutenção corretiva seja uma necessidade logística ininterrupta, ela hoje corre em paralelo a um robusto cronograma de obras estruturantes.
Rubens Falcão detalha que essa estratégia se baseia em três pilares:
- a manutenção preditiva, para renovar corredores antes do desgaste total;
- a resiliência hidrológica, com a execução do Plano Diretor de Drenagem; e
- o planejamento tecnológico, fortalecido por parcerias como a do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Hoje, a SEINFRA sai de um modelo puramente reativo para uma gestão baseada em inteligência de dados e resiliência urbana”.
- “Nossa atuação hoje é híbrida, não estamos apenas consertando a João Pessoa de hoje; estamos construindo a infraestrutura que permitirá à Capital crescer de forma ordenada e sustentável pelas próximas décadas”.
“Através do programa João Pessoa Sustentável, utilizamos o mapeamento tecnológico para identificar vetores de crescimento. Isso permite que a SEINFRA chegue antes da ocupação, garantindo que novas áreas já nasçam com infraestrutura de drenagem, iluminação em LED e pavimentação técnica”, afirma o secretário.
- No que diz respeito ao impacto do turismo, Rubens Falcão destaca que o status de João Pessoa como destino tendência mundial exige que a infraestrutura atue como um indutor de desenvolvimento econômico.
O secretário pontua que o foco está na expansão do mapa turístico para a zona sul e na preservação do Centro Histórico.
- Rubens Falcão reforça que intervenções na Orla Sul, com investimentos de R$ 35 milhões, e o recapeamento de alta resistência em Tambaú e Cabo Branco são vitais para suportar a carga do fluxo turístico recorde que a cidade vem recebendo.
“O turismo em João Pessoa atingiu um patamar histórico, com ocupação hoteleira recorde acima de 90%”.
- “Esse fluxo exige que a infraestrutura deixe de ser apenas funcional para se tornar um indutor de desenvolvimento”.

“Nossa estratégia foca em eixos como o Complexo Orla Sul, que integra as praias do Sol e Barra de Gramame, atraindo novos investimentos hoteleiros”.
- “Essas obras não são apenas corretivas; são estruturantes. Elas garantem que o ‘boom’ turístico de João Pessoa seja acompanhado por uma cidade preparada, moderna e segura”, explica Rubens Falcão.
Integração com ações estaduais e gestão do trânsito
- As intervenções municipais dialogam com obras executadas pelo Governo do Estado, como o Viaduto Luciano Agra, entregue em etapas ao longo de 2025, e a via que liga o Altiplano ao Hospital Universitário Lauro Wanderley.

Essas obras têm reduzido significativamente o tempo de deslocamento entre bairros e reorganizado fluxos estratégicos da Capital.
- Do ponto de vista operacional, a Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob) atua na organização do tráfego durante as intervenções.
O diretor de operações da Semob, Sanderson Cesário, explicou que interdições e desvios temporários fazem parte de uma estratégia necessária para viabilizar obras de grande porte, como o Viaduto Luciano Agra.
- Segundo ele, as mudanças já começam a gerar ganhos de fluidez e devem ser consolidadas com a conclusão das etapas finais das obras.
Planejamento como legado
- Na avaliação de Rubens Falcão, o atual ciclo de investimentos representa não apenas a execução de obras, mas a construção de um legado urbano.
“Estamos trabalhando para corrigir déficits históricos, mas também para deixar uma base sólida para o futuro”.
Infraestrutura não pode ser pensada apenas para resolver o problema imediato. Ela precisa antecipar o crescimento e garantir que a cidade continue funcional daqui a 10, 20 ou 30 anos”, afirma.

- Alisson Holanda reforça que o impacto dessas intervenções vai muito além da fluidez do trânsito, e que atinge diretamente a dinâmica de valorização do solo e a atratividade para novos negócios.
Segundo o diretor de Expansão do Creci-PB, quando o poder público investe em eixos de transposição e drenagem profunda, ele sinaliza ao mercado onde estão as áreas seguras para o desenvolvimento.
- “O investidor hoje busca segurança jurídica e infraestrutura de suporte. Quando a Seinfra entrega o Complexo Viário do Altiplano ou duplica os acessos ao Litoral Sul, ela está, na verdade, abrindo novas fronteiras econômicas”.
“Isso gera um efeito cascata positivo: surgem novos centros comerciais, os imóveis se valorizam e a arrecadação do município cresce, permitindo que o ciclo de investimentos se retroalimente”, observa.

- O conselheiro do Sinduscon também aponta que a integração entre o Plano Diretor e as obras de mobilidade é o que diferencia uma cidade que apenas cresce de uma cidade que se desenvolve”.
Para ele, o conceito de “cidade de 15 minutos”, onde o cidadão encontra o que precisa a curtas distâncias, depende de vias que suportam múltiplos modais e incentivam a ocupação humana.
- “Mobilidade urbana de excelência é aquela que oferece opções. Ao focar em calçadas acessíveis e ciclovias integradas, João Pessoa está se preparando para um futuro onde a qualidade de vida é o maior ativo”.
“O planejamento que vemos hoje evita o colapso que muitas metrópoles enfrentam por terem pensado apenas no automóvel. Estamos criando uma Capital que convida as pessoas a ocuparem as ruas com segurança e conforto”, avalia.

- Por fim, Alisson Holanda destaca que a resiliência urbana mencionada pela gestão é um fator determinante para a sustentabilidade do mercado imobiliário e turístico a longo prazo.
Ele reforça que o investimento em drenagem e em pavimentação de alta resistência é o que garante que o patrimônio público e privado seja preservado diante dos desafios climáticos.
“Não existe desenvolvimento sustentável sem infraestrutura resiliente”.
“O trabalho de antecipação da Seinfra, chegando antes da ocupação com drenagem e iluminação, é um legado que protege o futuro de João Pessoa”.
- “Quando a infraestrutura é robusta, a cidade se torna mais resiliente e menos custosa para o contribuinte, assegurando que o avanço econômico atual não seja efêmero, mas sim a base para uma capital próspera pelas próximas décadas”, conclui.
Com o turismo em expansão e a cidade em constante transformação, a mobilidade urbana consolida-se como um dos eixos centrais do planejamento de João Pessoa.
- O desafio agora é garantir que o crescimento continue sendo acompanhado por infraestrutura eficiente, integrada e pensada para as pessoas — condição essencial para que o avanço econômico se traduza em qualidade de vida e sustentabilidade urbana.

