
POR: HILTON GOUVEIA
ESPECIAL PARA O BLOGdoGM

- A morte de Dom Sebastião, rei de Portugal, na batalha contra os mouros, em Alka-Cer-Kibir (Norte da África) em 4 de outubro de 1578, deixou o reino de Portugal sem herdeiros.
O monarca, que era cardeal da Igreja Católica Apostólica Romana, não deixou filhos.

- Então, Felipe I, de Espanha, reivindicou, para si, o trono português e logrou êxito, após diversas batalhas com os lusitanos.
Daí nasceu a União Ibérica, formada por Portugal e Espanha e o símbolo real das Águias Bicéfalas cujas esculturas ainda podem ser vistas no Cruzeiro de São Francisco, situado em frente da igreja homônima, em João Pessoa.

- A convivência entre os oficiais militares e portugueses por aqui, não foi das mais amistosas, principalmente quando envolvia fortificações a serem construídas, pois o litígio entre João Tavares (português) e o general Diogo Flôres Valdez, gerava fortes desavenças que sempre eram acirradas.
Motivo: os mandatários de Portugal e Espanha, nunca chegavam a um denominador comum, já que os antagonistas perdiam mais tempo em brigar por questões de mando, do que somarem idéias, em benefício da Colônia do Brasil.

- A coisa permaneceu neste pé, até que Tavares fez olho fechado, quando Valdez criou a alcaiadaria de Forte Velho e lá colocou uma guarnição mista de soldados portugueses e espanhóis
Anunciando que fora chamado a Madrid, pelo Rei Felipe, Valdez entregou o pequeno forte, com oito canhonetas e um punhado de soldados, ao seu patrício, o coronel Francisco de Castejon que meses depois não aguentando o assédio dos índios potiguaras, incendiou o Forte e atirou ao Rio Paraíba, as peças de Artilharia.

- Pelos estudos do Doutor em História pela UFPB, Guilherme D’Ávila Lins e do escritor Marcos Odilon Ribeiro Coutinho, não há dúvida histórica nenhuma de que Forte Velho foi a primeira povoação da Paraiba.
Isto por causa do documento histórico que faz este registro.
- A Torre de Atalaia, uma torre de vigia cujas ruínas também ficam em Forte Velho, é uma prova inconteste de que este monumento militar, por ter sido construído no período da junção Portugal-Espanha, tanto traz as marcas arquitetônicas das construções de Algarves, quanto exibe as similares de Madrid.

Há indícios de que Forte Velho foi a povoação pioneira da Paraíba.
NOTA DO REDATOR DO BLOGdoGM – A Batalha de Alka-Cer-Kibir foi travada no norte de Marrocos, a 4 de agosto de 1578, no Deserto do Saara, opondo os exércitos do Reino de Portugal, apoiante da pretensão à coroa do então deposto sultão Mulei Maomé Almotauaquil ao do Sultanato Sádida, leais ao sultão reinante Mulei Maluco e apoiados pelo Império Otomano, atual Turquia.
- A vitória marroquina nessa batalha, infligiu a Portugal, o seu maior desastre militar já sofrido até hoje, marcando o fim definitivo da expansão portuguesa no Norte da África, levando à crise dinástica de 1580, e à subsequente união dinástica com a Espanha, durante 60 anos.

A derrota na batalha de Alka-Cer-Kibir (também chamada de Batalha dos Três Reinos) levou ao nascimento do mito do Sebastianismo, pois acreditava-se, na época, que D. Sebastião não teria morrido e voltaria de surpresa, a qualquer momento, para inesperadamente salvar Portugal dos problemas desencadeados pelo seu desaparecimento.
- É daí que surge a expressão “Ficaram a ver navios”, criada quando os lusitanos compareciam todos os dias, durante anos, ao cais do porto de Lisboa, esperando a volta de Dom Sebastião, o que nunca houve.


