Beatriz Campelo transformou as ruínas de uma mansão centenária no projeto cultural mais aguardado da Paraíba, somando 13 milhões de visualizações sem gastar um centavo em mídia.

  • Mas antes que uma única pedra fosse restaurada, alguém precisou destravar um imóvel parado havia décadas — e essa é a metade da história que ninguém contou.

  • Beatriz Campelo e Marcos Souto Maior Filho na escadaria do Casarão D’Ávila Lins — a arquiteta que enxergou a possibilidade e o advogado que abriu o caminho legal para realizá-la · Tambiá, João Pessoa – PB

Há uma cena que se repete nos comentários da série “Comprei uma Casa Abandonada”: pessoas escrevendo que assistiram duas, três, quatro vezes.

  • Que choraram.

Que foram procurar casarões abandonados na própria cidade.

  • Os 13 milhões de visualizações impressionam — mas o que a série não mostra, e que poucos sabem, é que essa casa quase não chegou às mãos de quem soube salvá-la.

Casarões centenários como o D’Ávila Lins raramente têm um dono só.

  • Têm herdeiros espalhados, matrículas desatualizadas, décadas de silêncio administrativo e, com frequência, embargos de obra que travam qualquer intervenção antes mesmo que ela comece.

É nesse terreno — mais jurídico do que arquitetônico — que a história de resgate do casarão realmente começa.

O CASARÃO

  • Cem Anos de Silêncio

No bairro do Tambiá, na Rua Monsenhor Walfredo Leal, ergue-se o Casarão D’Ávila Lins — uma mansão construída em 1916, no auge do estilo eclético que definia o gosto da elite nordestina do início do século passado.

  • Colunas neoclássicas, ornamentos de estuque e uma escadaria monumental em arco resistiram a mais de cinquenta anos de abandono.

A vegetação fez seu próprio projeto de ocupação:

  • Uma figueira centenária cresceu para dentro da estrutura, as raízes descendo pela fachada como braços que abraçam o que o tempo esqueceu.

Foi nesse cenário — entre o sublime e o desolador — que Beatriz Campelo pisou pela primeira vez.

  • Arquiteta paisagista com mais de quinze anos de projetos de alto padrão, Bia enxergou não uma ruína, mas uma possibilidade.

“Quando entrei, vi 110 anos de história intactos embaixo da vegetação”.

“Não era uma ruína — era um patrimônio esperando por alguém com coragem suficiente para ouvi-lo.”
— Beatriz Campelo

  • Beatriz Campelo em um dos vãos internos do casarão, sob um portal ornamentado que resistiu a décadas de abandono

O ELO INVISÍVEL

  • A Batalha Que Veio Antes do Projeto

Toda reforma de impacto tem um arquiteto na frente das câmeras.

  • Poucas mostram quem trabalhou nos bastidores para que a obra sequer pudesse começar.

No caso do Casarão D’Ávila Lins, esse trabalho coube ao advogado Marcos Souto Maior Filho — marido de Beatriz e responsável pela frente jurídica e comercial do projeto.

  • Antes de qualquer restauro, havia um imóvel historicamente valioso e juridicamente travado:

Era preciso localizar e negociar com os proprietários legítimos, equacionar pendências de titularidade acumuladas ao longo de décadas de abandono e destravar embargos e restrições administrativas que impediam qualquer intervenção de obra no local.

  • Sem esse trabalho — silencioso, técnico, sem uma câmera por perto — a figueira centenária continuaria crescendo sozinha dentro das ruínas.

“Acreditei nesse sonho antes de existir um projeto para mostrar”.

“Meu trabalho foi encontrar os proprietários, resolver o que estava impedindo qualquer avanço e abrir o caminho legal para que a Bia pudesse, enfim, transformar aquelas ruínas em Casa Campelo de Cultura.”
— Marcos Souto Maior Filho

  • A frase resume o que a série de vídeos não mostra:

Entre a decisão de preservar a figueira e o primeiro tijolo assentado, existiu uma etapa inteira de regularização que determina, na prática, se um projeto de restauro patrimonial sai do papel ou morre na gaveta.

  • É esse tipo de trabalho — pouco glamouroso, mas decisivo — que viabilizou tudo o que veio depois.

  • Bia e Marcos na escadaria monumental do casarão — a parceria que uniu visão criativa e viabilização jurídica ao longo de todo o projeto

A PROTAGONISTA INESPERADA

  • A Figueira Que Mudou Tudo

Quando projetos de restauração preveem a derrubada de vegetação invasiva, ninguém costuma questionar — é procedimento padrão, quase burocrático.

  • Diante da figueira que havia colonizado o casarão, Beatriz Campelo fez a única pergunta que importava:

A árvore fica?

  • A resposta afirmativa gerou o episódio mais comentado da série, com 782 mil visualizações para um vídeo que, essencialmente, discute se uma árvore deve ser cortada.

A decisão reconfigurou todo o projeto.

  • Bia Campelo desenvolveu uma solução inédita no Brasil:

Um teto de vidro que revelará, de dentro do espaço restaurado, a copa centenária da árvore contra o céu de João Pessoa.

  • “Será a primeira casa do Brasil com uma árvore centenária integrada à arquitetura”.

“O vidro não vai separar o visitante da natureza — vai apresentá-los um ao outro.”
— Bia Campelo, arquiteta do projeto

  • Beatriz Campelo sob as raízes aéreas da figueira centenária que cresceu dentro do casarão — a árvore que se tornou símbolo do projeto

  • Visualização do projeto de restauro — Beatriz Campelo

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