- Por: Hilton Gouveia
- Especial para o BLOGdoGM
Neste domingo, muitas famílias paraibanas vão chorar os 50 anos tristemente célebres da Tragédia da Lagoa, quando 35 pessoas – nelas incluídas 27 crianças -, morreram afogadas na Lagoa do Parque Solon de Lucena, vítimas de um acidente provocado por uma Portada(*) do Exército Brasileiro.
- Era pertinho das 16h.
O Exército comemorava o Dia do Soldado.
- E a portada fora negligentemente colocada a navegar nas águas da lagoa, com crianças e adultos a bordo, sem o uso de coletes salva-vidas ou quaisquer outros equipamentos similares.
A portada, que é usada por experientes soldados de infantaria, para a travessia de tropas em marcha, tinha a bordo passageiros inexperientes.
- E, quando o seu motor começou a liberar uma fumaça preta, crianças e adultos entraram em pânico e o barco inclinou.
Foi uma tragédia.
- Até o sargento Edrisio, campeão de natação, foi arrastado para o fundo, agarrado por mãos desesperadas.
O domingo de 24 de agosto de 1975, lembrado como um dia fatídico, transformou a pérgula e o gramado da lagoa num desfile sinistro de pais e mães a procura de filhos e parentes tragados pela lama.
- Eu (Hilton Gouveia), então trabalhando como repórter do jornal “O Norte” (hoje falido), fui preso pela Polícia Federal, com outros companheiros e levado para o 1º Grupamento de Engenharia.
Fomos recebidos pelo Major Neto e o Tenente Jari, e levamos uma maçada boa para sermos liberados.
- Interviu em nosso favor um dos Diretores dos Diários e Emissoras Associados, João Calmon, que tinha bons amigos na cúpula militar.
Balanço geral.
- O advogado Osias Gomes, que pleiteou as indenizações das vítimas, morreu sem conseguir sua intenção.
O taxista Hermes Silva, que perdeu mulher e 5 filhos na tragédia, nunca recebeu a indenização que solicitou.
(*) Portada, erroneamente chamada de balsa é transporte exclusivamente militar, utilizado por infantaria do Exército e da Marinha.
A portada é uma ponte desmontável, só instalada quando no caminho da infantaria surgem rios, lagoas e similares.
- Os usuários de portadas usam coletes salva-vidas de cargas de até 180 kg.
Nada disso foi distribuído com adultos e crianças, a quem o governo militar quis obsequiar com um passeio turístico sobre as águas da lagoa, que resultou em mortes.
Em tempo (1): O major Neto, citado na matéria, foi por mim – Hilton Gouveia – descoberto como infiltrado no cursinho pré-vestibular Águia, de Amâncio Amadeus, que na década de 70 lecionava no Colégio Marista Pio X.
Em tempo (2): O advogado Cleanto Gomes é neto de Osias Gomes. Ele tem mais informações sobre as indenizações.
- Fontes das imagens – De domínio público
- Crédito das fotos – Identificadas na própria publicação feita nesta postagem
NOTA DO REDATOR DO BLOGdoGM – Cinco décadas depois dessa tragédia narrada por Hilton Gouveia, o preparo operacional das Forças Armadas está muito mais refinado, em termos de técnica e equipamentos modernos.
- Como prova de que os tempos atuais são outros, melhores e mais profissionais, reproduzimos abaixo, alguns trechos e imagens postados na Internet (Instagram 7becmb_exercitobrasileiro):
7º BATALHÃO DE ENGENHARIA DE COMBATE REALIZA INSTRUÇÃO DE PORTADA TÁTICA LEVE AOS SOLDADOS DO EFETIVO VARIÁVEL
Natal (RN) – No dia 13 de agosto de 2025, o 7º Batalhão de Engenharia de Combate – “Batalhão Visconde de Taunay” – realizou, na praia do “Y”, localizada nas instalações do 17º Grupo de Artilharia de Campanha, mais uma importante etapa da Instrução Individual de Qualificação (IIQ).
- Dessa vez, os soldados do efetivo variável participaram da montagem da Portada Tática Leve, um equipamento fundamental nas ações de transposição de cursos d’água pela Arma de Engenharia.
Durante a atividade, os militares aprenderam a identificar, transportar, manter e montar o material.
- Além disso, foi realizada uma simulação de transposição de viatura, com o objetivo de manter os padrões de operacionalidade e prontidão da tropa.
A instrução faz parte das matérias de Equipagens e Pontes, essenciais na formação do combatente de Engenharia.