Francisco de Sales Gaudêncio
Mario Helio Gomes

  • Neste 12 de fevereiro, celebramos o centenário de nascimento de um dos pilares da historiografia brasileira: Armando Souto Maior.

Para gerações de estudantes, professores e pesquisadores, seu nome tornou-se praticamente um sinônimo da própria História.

  • Seus manuais didáticos, que alcançaram dezenas de edições, equilibravam o rigor acadêmico com uma clareza rara, tornando-se verdadeiros clássicos do gênero.

Contudo, foi em sua obra seminal, Quebra-quilos: lutas sociais no outono do Império, que ele consolidou sua prestigiada autoridade no meio acadêmico.

A contribuição de Souto Maior à educação brasileira transcendeu as páginas dos livros.

Como líder da pós-graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele foi o mentor de uma legião de pesquisadores, exercendo uma influência intelectual que se estendeu por todo o Nordeste.

  • Sua capacidade de gestão também brilhou ao dirigir e desenvolver a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, revelando um homem de ação comprometido com a excelência institucional.

No ocaso da década de 1980, o historiador deu lugar ao ficcionista.

  • Com obras como O gato paralelo (premiado em sua estreia) e O diabo no divã, revelou uma faceta irônica e intensamente imaginativa.

Foi nesse período que o então “ateu empedernido” viveu uma profunda conversão ao espiritismo.

  • Mais do que uma mudança de credo, foi uma mudança de vida: imbuído de uma nova convicção, dedicou-se à filantropia e à educação dos menos favorecidos, fundando inclusive um jornal para a difusão da doutrina que abraçara.

Embora nascido e radicado em Pernambuco, Armando Souto Maior manteve uma ligação umbilical e afetuosa com a Paraíba.

  • Esse vínculo nasceu nas amizades cultivadas na Faculdade de Direito do Recife, com figuras ilustres como José Gláucio Veiga e Milton Ferreira de Paiva, e floresceu em sua relação com a cidade de Areia.

Na terra de Pedro Américo e José Américo de Almeida, Souto Maior foi justamente agraciado com o título de Cidadão Honorário.

Sua presença no Estado era constante e celebrada, pois foi:

  1. Sócio Correspondente da Academia de Letras de Campina Grande;
  2. Colaborador assíduo da UFPB,
  3. do IHGP e
  4. da Academia Paraibana de Letras.

Participou de vários eventos, dentre eles o II Encontro pela Preservação dos Bens Culturais, onde brindou o público com sua sabedoria sobre os “500 anos de Brasil” a convite da gestão de Chico Pereira e do IPHAEP, onde foi um conferencista memorável.

  • Em todas as suas facetas — historiador, escritor, gestor ou filantropo — imperou sempre o humanista.

Armando Souto Maior não deixou apenas livros e instituições; deixou um rastro de inspiração.

  • Seu legado permanece vivo tanto na memória dos amigos que tiveram o privilégio de seu convívio quanto nas novas gerações que, ao lerem suas obras, encontram um exemplo de cidadania e amor ao conhecimento.

Temos a sorte e o privilégio de que a amizade com Armando Souto Maior continua inteiramente viva e presente, na que mantemos com Gabriela Martin (sua esposa*) e Paulo Souto Maior (seu filho).

  • OBS: — Maria Gabriela Martín Ávila é seu nome de solteira (*).

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