João Pessoa atravessa um dos ciclos mais intensos de crescimento urbano, populacional e turístico de sua história recente.

  • Com praias urbanas balneáveis, visibilidade nacional, internacional e projeções de ocupação hoteleira próximas de 100% na alta temporada, a capital paraibana se fortalece, dia após dia, como um dos principais destinos do Nordeste.

Esse avanço, no entanto, traz à tona um desafio estrutural cada vez mais evidente: garantir que a mobilidade urbana acompanhe o ritmo da expansão da cidade.

  • Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que João Pessoa é a capital nordestina que mais cresceu proporcionalmente nos últimos anos.

O aumento da população fixa, somado à população flutuante impulsionada pelo turismo e por grandes eventos, pressiona diretamente a infraestrutura viária, o sistema de drenagem e os padrões de deslocamento urbano.

  • Dessa forma, o novo Plano Diretor assume papel central ao estabelecer diretrizes para um crescimento mais integrado, equilibrado e sustentável.

Para o secretário municipal de Infraestrutura de João Pessoa, Rubens Falcão da Silva Neto, a mobilidade urbana deixou de ser tratada apenas como uma questão de tráfego e passou a integrar uma visão mais ampla de cidade, em que infraestrutura, acessibilidade e planejamento caminham juntos.

  • Segundo ele, a atuação da Seinfra está diretamente alinhada às diretrizes do Plano Diretor, com foco na qualificação dos espaços urbanos desde a base.

“Entendemos que o crescimento de João Pessoa deve ir além do aspecto quantitativo; ele precisa ser qualitativo e sustentável”.

  • “Por isso, o programa Minha Rua Calçada — a maior intervenção em pavimentação da história da Paraíba — além de entregar apenas asfalto ou bloco, também traz soluções completas de engenharia urbana”.

“Sob esta gestão, nenhuma via é pavimentada sem o devido estudo e execução de drenagem. Estamos padronizando o passeio público com calçadas acessíveis, piso tátil e rampas, priorizando a segurança e o conforto, além de expandir a malha de ciclovias”, afirma.

  • Essa abordagem reflete uma mudança estrutural na forma como as obras viárias vêm sendo planejadas e executadas na capital paraibana.

De acordo com Rubens Falcão, os investimentos deixaram de priorizar exclusivamente o asfalto e passaram a considerar o pedestre, o ciclista e a convivência urbana como elementos centrais do projeto.

“Hoje, não falamos mais apenas em ‘metragem de asfalto’. Estamos expandindo a malha de ciclovias e ciclofaixas, integrando bairros periféricos aos centros de serviços e à orla, promovendo o uso da bicicleta para transporte e lazer”.

“Projetos como o novo Parque da Cidade e a revitalização de grandes avenidas contemplam travessias elevadas e iluminação em LED voltada para as calçadas, aumentando a segurança de quem caminha”.

  • “O foco deixou de ser apenas a fluidez dos carros: João Pessoa hoje constrói vias que funcionam como espaços públicos, onde o cidadão encontra conforto, segurança e uma infraestrutura que convida à ocupação da cidade”, destaca.

Obras estruturantes e resposta ao crescimento

  • O avanço do turismo e o adensamento urbano exigiram soluções mais complexas de engenharia e planejamento.

Atualmente, João Pessoa vive um dos maiores ciclos de obras estruturantes voltadas à mobilidade urbana de sua história recente.

  • Rubens Falcão destaca que a gestão está preparando a malha viária para as próximas décadas com obras estruturantes, como o Complexo Viário da Beira Rio e o Parque da Cidade.

O secretário enfatiza, ainda, o investimento estratégico no suporte ao Polo Turístico Cabo Branco e na urbanização dos acessos às praias do litoral sul, como Praia do Sol e Barra de Gramame.

  • O uso de convênios federais e estudos de mobilidade garante que a infraestrutura seja um motor de conectividade e desenvolvimento sustentável para a Capital.

“Essas são obras estruturantes, pensadas para resolver um gargalo histórico da cidade”.

  • “Ela cria uma nova artéria de ligação entre regiões importantes, redistribui o fluxo de veículos e reduz a sobrecarga em corredores já saturados”.

“Elas integram novos territórios à cidade, garantem segurança viária e criam condições para o desenvolvimento econômico dessas regiões. Mobilidade também é integração urbana”, ressalta.

O orçamento da Seinfra acompanha essa estratégia.

  • Atualmente, cerca de R$ 40 milhões por ano são destinados à manutenção e recuperação de vias existentes, enquanto aproximadamente R$ 100 milhões anuais financiam novas obras e intervenções estruturantes.

“Manter a cidade funcionando é tão importante quanto expandir. Não adianta abrir novas vias se a malha existente não receber manutenção. Por isso, buscamos esse equilíbrio entre conservar o que já existe e preparar a cidade para crescer”, pontua o secretário.

  • De acordo com o secretário de Infraestrutura, João Pessoa vive atualmente o maior canteiro de obras de sua história, com um cronograma focado em descentralizar o fluxo e reduzir o tempo de deslocamento.

Rubens Falcão explica que, por ser uma das Capitais mais antigas do país, o desafio da Seinfra é aplicar uma engenharia de otimização em uma malha urbana já consolidada.

  • O objetivo central é criar uma cidade conectada, onde a infraestrutura funcione como suporte para o crescimento econômico e o bem-estar social.

“A capital paraibana possui uma característica desafiadora: operamos sobre uma malha urbana consolidada, com ruas de traçado histórico”.

  • “Nosso trabalho é apenas ‘abrir caminhos’ e aplicar uma engenharia de otimização para fazer a cidade fluir dentro de seus limites físicos”.

“Onde não podemos alargar ruas, estamos investindo no programa Asfalto Novo e no redesenho de sistemas viários, como o do Parque da Cidade, o que irá garantir que o tráfego flua sem as retenções que hoje marcam a nossa Capital”.

As ações da Seinfra estão divididas em frentes que atacam os pontos de maior pressão na capital:

  1. Complexo Viário Beira Rio–Miramar–Altiplano:
    Considerado o “carro-chefe” da gestão em mobilidade.
  2. Solução definitiva para o gargalo entre o Altiplano e Miramar.
    Inclui viadutos e túneis para eliminar conflitos de tráfego.
  3. Orla Sul (Acessos à Praia do Sol e Barra de Gramame):
    Urbanização completa com drenagem e iluminação em LED.
  4. Foco estratégico na integração do Litoral Sul ao eixo turístico.
    Beneficia diretamente a economia e os moradores do bairro Valentina.
  5. Eixo Sudeste-Sul (Mangabeira, Valentina e Geisel):
  6. Avenida Hilton Souto Maior: Ampliação para aumentar a capacidade de tráfego em 50%.
  7. Viaduto de Água Fria: Eliminação de conflitos de trânsito entre os bairros e a BR-230.
  8. Vetor Norte (Bessa e Aeroclube):
  9. Redesenho do sistema viário no entorno do novo Parque da Cidade.
  10. Criação de novas alças de acesso e binários para desafogar a região do Retiro.
  11. Polo Turístico Cabo Branco:
    Infraestrutura de base e pavimentação para suporte aos novos empreendimentos hoteleiros e turísticos da região.

Mobilidade como fator de desenvolvimento

  • Para o presidente do Instituto Ranking PB (IRPB), diretor de Expansão do Creci-PB e membro do Conselho do Sinduscon, Alisson Holanda, a mobilidade urbana passou a ser um dos principais indicadores de competitividade das cidades, especialmente em destinos turísticos.

“Mobilidade deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a ser um fator econômico e social”.

  • “Uma cidade que trava o trânsito perde atratividade, perde investimentos e compromete a qualidade de vida. Quando o planejamento vem antes da ocupação, o custo é menor e o resultado é melhor para todos”, avalia.

Segundo o presidente do IRPB, o crescimento do turismo amplia ainda mais a necessidade de planejamento.

“O turista utiliza a mesma infraestrutura do morador”.

  • “Se a cidade não estiver preparada para esses picos de demanda, o impacto aparece rapidamente, seja no trânsito, no transporte coletivo ou na imagem do destino. Mobilidade urbana é parte essencial da experiência turística”, observa.

Alisson Holanda ainda destaca que o crescimento vertical de João Pessoa, especialmente em bairros como o Altiplano, exige que o poder público atue com antecipação.

  • O diretor do Creci-PB pontua que o valor de um imóvel não está somente entre suas paredes, mas na facilidade com que o cidadão se conecta ao restante da cidade.

“O mercado imobiliário acompanha de perto essas obras”.

“Quando anunciamos um complexo viário, por exemplo, estamos valorizando toda uma região e dando segurança para que novos empreendimentos surjam com a certeza de que haverá fluidez”.

  • “Este tipo de obra é a prova de que a engenharia pode e deve corrigir distorções históricas de ocupação”, afirma Alisson.

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