Era uma manhã de sábado ensolarado nos estertores daquele mês de abril de 2002.

  • Na hora agendada, chegamos ao principal portão de entrada da Granja Santana, no Bairro do Miramar, em João Pessoa.

Não houve burocracia.

  • Recebemos autorização para entrar, desembarcamos em meio àquele ambiente bucólico que adorna a residência oficial do governo paraibano e alcançamos céleres a varanda convidativa da casa.

Na porta, já com um largo sorriso no rosto, a então primeira-dama do Estado, Fátima Paulino, nos recebe de braços abertos, não disfarçando sua surpresa e desconhecimento acerca daquela “visita inesperada”.

  • Saudados, abraçados e cumprimentados, fomos acomodados nos confortáveis assentos da grande sala da residência oficial, testemunha de importantes decisões políticas da Paraíba desde o governo João Agripino, em 1969, quando passou a funcionar como moradia do governador e sede de despachos governamentais.

Já numa primeira rodada de cafezinhos, água gelada e sucos, dona Fátima, ainda demonstrando surpresa, nos indaga o motivo da visita.

  • Também surpresos, nos entreolhamos espantados e esclarecemos que estava agendada uma entrevista com o governador, confirmada pelo próprio Roberto Paulino uns dias antes.

Transparecendo certo desconforto, a primeira-dama desabafa:

  • “Meu Deus! Como Roberto é esquecido! Acho que ele não lembrava desse compromisso e saiu bem cedo, como faz todo sábado… Vocês me desculpem!”.

Por um momento, a equipe da revista A Semana, frustrada, se emudeceu.

  • Neno Rabello, diretor-presidente do semanário, pergunta se o governador havia viajado, se voltaria naquele dia…

“Nada… Daqui a pouco ele está aqui. Ele foi tomar o cafezinho dele, andar pela feira e conversar com o pessoal lá do mercado público…”.

  • Achamos inusitado, mas – porém – aliviados.

Tudo indicava que a entrevista exclusiva iria ocorrer.

E ficamos batendo papo com dona Fátima, eu (Jorge Rezende) e Giovanni Meireles (Redator deste BlogdoGM), os repórteres da empreitada; Neno (Rabelo, odono da revista); e o repórter-fotográfico Valério Ayres.

  • Já embalados na agradabilíssima conversa, fomos interrompidos com a porta da sala se abrindo e a aparição do governador, com duas sacolas às mãos, um tanto despenteado, vestindo uma simples camisa branca de mangas curtas, com uma parte fugindo do cinto, num visual completado por uma larga calça de tergal cinza, com as bainhas mal dobradas, e arrastando suas sandálias havaianas de tiras azuis.

Sozinho, sem nenhum aparato de segurança e companhia daqueles assessores do poder que grudam feito carrapato, parecendo encostos…

  • Roberto Paulino, com ausência de “arrudeios”, atesta o seu esquecimento, e que estava pronto para a entrevista prometida, sem antes caminhar até nós e, com a felicidade semelhante a de um menino quando recebe um presente de Natal, abre uma das sacolas e, em meio a coentros e cebolinhas, retira uma mão cheia de CDs e DVDs “não oficiais” comprados de um ambulante da feira onde estivera.

E faz questão de mostrá-los um por um, sem dispensar comentários “técnicos” das obras adquiridas e revelar seus gostos musicais e cinematográficos.

A revista A Semana – provavelmente a publicação semanal ininterrupta mais longeva das Regiões Norte e Nordeste (foram 17 anos no mercado editorial paraibano) –, fundada por Neno Rabello e Agnaldo Almeida, circulou pela primeira vez em 14 de maio de 1999.

Desde então, nas edições especiais anuais do seu aniversário, ficou “decretado” que a capa festiva sempre seria com o “governador de plantão”, com uma extensa entrevista em seu miolo.

  • Em maio de 2002, a capa seria com Roberto Paulino, que, como vice-governador, havia assumido a titularidade no Palácio da Redenção no dia 6 abril daquele ano, com a renúncia do governador José Maranhão para disputar um mandato de senador – e que logrou êxito.

Ou seja: Roberto governador pelo PMDB partiria para disputar a reeleição no pleito de outubro daquele mesmo ano.

  • Aquela edição de aniversário foi uma das mais impactantes, marcando a história de A Semana.

Numa entrevista simples semelhante a Roberto Paulino, eu como editor-geral destaquei na chamada de capa uma fala entre aspas do entrevistado, onde ele dizia que, se chegasse a 30% nas intenções de votos, iria para o segundo turno, enfrentando o então poderoso PSDB e seu candidato, Cássio – a maior estrela em ascensão do clã Cunha Lima.

  • Houve críticas e deboches, pois, naquele momento, o pré-candidato a governador Roberto Paulino aparecia apenas com pouco mais de 4% nas pesquisas eleitorais.

A previsão era de que Paulino receberia uma “surra de votos” imposta por Cássio Cunha Lima.

  • É bom lembrar que o lançamento da então desacreditada pré-candidatura de Paulino foi de última hora, já que o PMDB havia nutrido e apontado por quase um ano inteiro que o seu candidato ao governo da Paraíba em 2002 seria o senador Ney Suassuna.

Chegando nas eleições de outubro, os presunçosos críticos da capa de A Semana quebraram a cara.

  • A arrogância cassista caiu por terra.

No primeiro turno, Cássio Cunha Lima somou 47,20% dos votos.

  • E como prometido e previsto somente por ele, Roberto Paulino chegaria mais longe ainda dos 4%, totalizando 39,98% da preferência dos paraibanos.

As outras candidaturas ficaram assim:

  • Avenzoar Arruda (PT), com 12,57%, e Alexandre Arruda (PSTU), com 0,10%.

No segundo turno, Cássio foi eleito por uma “peinha” de nada, alcançando 51,35% dos votos. Roberto Paulino somou 48,65%.

Há uma teoria da conspiração de que forças estranhas teriam “impedido” a vitória do simples Paulino.

Uma possível eleição de Roberto Paulino entraria para a história como a vitória da simplicidade contra a arrogância.

  • Antônio Roberto de Sousa Paulino nasceu em Guarabira, em 20 de julho de 1951), Prefeito de sua cidade natal por duas vezes (1977-1983 e 1989-1992), em 1994 foi eleito deputado federal, tendo mandato entre 1995 e 1998.

Entre 1999 e 2002 ocupou o cargo de vice-governador da Paraíba.

  • Desde 2021, é secretário-chefe da Secretaria do Governo do Estado da Paraíba.

A simplicidade de Roberto Paulino não se restringe a ele.

  • Essa característica é inerente a todos de sua família, e alcança principalmente a esposa Fátima e seu filho Raniery Paulino.

Fátima Paulino foi eleita e reeleita prefeita de Guarabira em 2004 e 2008, respectivamente.

  • Raniery, hoje no Republicanos, já soma uma longa e frutífera carreira na política paraibana.

E a previsão é a de que, em breve, deverá assumir o mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília, para onde levará a sua competência e ações pontuais “embrulhadas” pela simplicidade dos Paulino.

  • Enriquecerá a bancada paraibana e quem ganhará será a população do Estado.

Roberto Raniery de Aquino Paulino nasceu em João Pessoa, em 18 de outubro de 1979.

  • Bacharel em Direito e empresário, iniciou sua militância política na Juventude do então PMDB.

Foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006.

  • Na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), atuou continuamente por quatro mandatos consecutivos, de 2007 a 2023.

Em 2022, conquistou a primeira suplência de deputado federal pelo Republicanos.

  • Em 2024, assumiu a vaga como deputado federal após a nomeação de Wilson Santiago para a Secretaria de Representação Institucional da Paraíba, em Brasília.

Agora, com a possível licença do deputado Murilo Galdino, Raniery voltará ao mandato.

  • Mais uma necessária simplicidade dos Paulino no cenário político paraibano.

Fonte: Espaço-PB – Contato: jorgerezende.imprensa@gmail.com

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