

Análise da Comissão de Conjuntura Econômica do Corecon-PB reúne 18 indicadores e mostra que a Paraíba vive um momento de avanços institucionais e fiscais, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar crescimento em renda, produtividade e desenvolvimento mais inclusivo.
A Paraíba tem motivos para comemorar, mas também tem questões importantes a resolver.
- É o que mostra o estudo “Paraíba: o paradoxo econômico da atualidade”, apresentado na quinta-feira da semana passada, dia 27 de agosto, pelo Conselho Regional de Economia da Paraíba (Corecon-PB) durante evento na IlhaTech.
Elaborado pela Comissão de Conjuntura Econômica (CCE) do Conselho, o trabalho reúne 18 indicadores econômicos e sociais e analisa os 223 municípios paraibanos a partir de duas dimensões: os avanços registrados pelo Estado e as fragilidades que ainda limitam seu desenvolvimento.

- Entre os indicadores de destaque estão a liderança da Paraíba no Nordeste no Índice de Progresso Social e no Ranking de Competitividade dos Estados, a boa situação fiscal, a nota máxima de crédito e a menor taxa de desemprego da região.
O crescimento real do PIB também chama atenção: 6,6% em 2024, o maior entre os Estados brasileiros.
Para Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior, presidente da CCE, os resultados positivos precisam ser reconhecidos, mas analisados dentro de um quadro mais amplo.
- “A Paraíba apresenta avanços importantes em áreas como gestão fiscal, competitividade, progresso social, mercado de trabalho e crescimento econômico. Esses resultados mostram que o Estado construiu bases importantes e que existe capacidade institucional para avançar”.

“O desafio agora é entender como transformar essas condições favoráveis em mais produtividade, geração de riqueza e oportunidades.”
Do outro lado da análise estão indicadores que mostram desafios persistentes.
- O PIB per capita de R$ 24,3 mil coloca a Paraíba na 25ª posição entre os 27 Estados brasileiros, enquanto o rendimento médio das pessoas ocupadas é de R$ 2.461.
A taxa de pobreza chega a 47,5%, acompanhada por desigualdade de renda, analfabetismo, baixa inserção internacional e concentração da atividade econômica.

- Débora Gerlane Gomes de Alcântara, integrante da CCE, chamou atenção para o fato de que os indicadores sociais e de renda ajudam a dimensionar o que ainda precisa ser enfrentado.
“Os indicadores de fragilidade mostram que o crescimento econômico não está chegando à população na mesma proporção”.
- “Quando olhamos para renda, pobreza, desigualdade, educação e produtividade, fica claro que ainda existem obstáculos estruturais. O desenvolvimento precisa alcançar as pessoas e os diferentes territórios do Estado.”
A análise também revela uma forte concentração espacial da atividade econômica: cinco municípios – João Pessoa, Campina Grande, Cabedelo, Santa Rita e Alhandra – respondem juntos por 53,4% do PIB estadual.

- Ao mesmo tempo, 174 dos 223 municípios paraibanos são classificados como insustentáveis pelo índice da Firjan utilizado no estudo.
Para o economista sênior Ruben Castedo Ramirez, integrante da CCE, o principal mérito do estudo está justamente em colocar os diferentes indicadores em perspectiva.
- “O estudo procura fazer uma leitura integrada da economia paraibana. Não se trata de escolher entre os indicadores positivos ou negativos, mas de compreender como eles se relacionam”.
“A Paraíba tem uma situação fiscal sólida e avanços importantes, mas precisa usar essas condições para promover uma transformação econômica que seja mais produtiva, diversificada e inclusiva.”

É essa combinação que dá sentido ao conceito de paradoxo apresentado pelo Corecon-PB:
Um Estado com capacidade institucional e fiscal, mas que ainda encontra dificuldades para converter essas vantagens em maior renda, produtividade e melhoria sustentável das condições de vida.
- Para o presidente do Corecon-PB, Werton Oliveira, a apresentação do estudo reforça o papel da entidade na produção e disseminação de conhecimento econômico.
“O economista precisa olhar para além do número mais evidente”.

“Um crescimento de 6,6% do PIB é um dado importante, mas a análise econômica precisa perguntar o que esse crescimento está produzindo, onde a riqueza está sendo gerada, quem está se beneficiando dela e quais obstáculos ainda impedem que se transforme em renda, produtividade e oportunidades para todo o conjunto da população paraibana”.
“É essa leitura que ajuda a transformar dados em decisões.”
- O estudo aponta que a Paraíba vive uma oportunidade histórica, sustentada pela estabilidade fiscal, pela melhoria da gestão pública e pelo fortalecimento institucional.
A próxima etapa, segundo a análise, passa por educação, indústria, agronegócio de maior valor agregado, exportações, turismo internacional, aqüicultura, integração entre municípios e fortalecimento das cadeias produtivas locais.

- A conclusão dialoga diretamente com o pensamento do economista paraibano Celso Furtado:
“Crescimento econômico, por si só, não é sinônimo de desenvolvimento”.
- Para o Corecon-PB, esse é justamente o ponto de partida para discutir os caminhos da economia paraibana nos próximos anos.

