Evento reuniu cooperativas, empresas privadas, instituições de ensino e estudantes, além de autoridades políticas e agricultores.

  • Conhecida pelo seu importante sítio arqueológico, a cidade de Ingá, localizada no agreste paraibano, se destaca também pelo cultivo e distribuição do algodão orgânico agroecológico.

Reconhecimento festejado na última quinta-feira, dia 19, dia de São José, quando foi realizado o ‘Dia D Algodão: Da Roça ao Mundo, promovido pelo Instituto de Incubação e Aceleração (IA).

  • Robério Burity, ex-prefeito do município e responsável pela retomada do cultivo do algodão na região, lembrou das dificuldades enfrentadas.

“Começamos em 2017 com apenas cinco agricultores, porque as pessoas não acreditavam mais na cultura depois do que houve com a praga do bicudo e praticamente o fim do plantio de algodão aqui na região”, relembra.

  • Para o entrevistado, o ‘Dia D Algodão’ é sim superação, já que hoje são mais de 60 cooperados, apenas na ITACOOP, uma das maiores cooperativas da região.

“Lembrando que quando criamos a cooperativa, pensamos em todos, em Ingá e também nas cidades vizinhas”, completou.

  • Na ocasião, foram apresentados os avanços da produção algodoeira na região e destacados também os desafios de quem vive da fibra natural mais utilizada no mundo.

Ao passo que a produção aumenta em quantidade, e principalmente em qualidade, já que a ITACOOP recebeu recentemente o selo GOTS – Global Organic Textile Standard – um dos principais da indústria têxtil no mundo, o agricultor ainda tem a menor margem de lucro de toda a cadeia produtiva.

  • Atualmente o quilo do algodão orgânico agroecológico produzido na cooperativa é vendido por cerca de R$ 5,00.Para Severino Vicente, presidente da ITACOOP, a desvalorização resulta em prejuízo para quem se dedica ao plantio do algodão.
  • “Isso muitas vezes desanima, saber que a gente não consegue alcançar o preço que a gente merece no nosso algodão”.

Mas o lavrador que dedicou a vida à agricultura familiar, não desiste.

  • “Esse é um dia muito importantes para os agricultores e agricultoras, e a gente pede para que todos se animem mesmo sabendo que a gente ainda não consegue alcançar o preço que a gente merece no nosso algodão, disse o deputado estadual João Gonçalves, presente ao evento em Ingá”.Nathália Lima, agrônoma e gerente administrativa da ITACOOP, reforçou a necessidade do reconhecimento dos agricultores, para que o plantio do algodão seja cada vez mais relevante e capaz de garantir a subsistência de quem tanto se dedica à terra.

“Que a maior fatia do bolo fique com eles, porque a gente sabe que sem eles não teria selo, não teria profissionais envolvidos. E com valor justo a gente instiga a continuar na produção”.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que atua diretamente na região, também participou do ‘Dia D Algodão’.

  • “O evento é ímpar, porque esse dia tem o objetivo de trazer todo mundo pra sentar junto, conversar e melhorar produção, produtividade e renda do agricultor familiar”, disse Felipe Guimarães, analista da Embrapa Algodão.

O extensionista do Projeto do Algodão da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer), Ricardo Farias, destacou a relevância do encontro e falou sobre a plantação e qualidade do produto originado na região.

“Antigamente, o sistema usado no plantio do algodão era agressivo ambientalmente e socialmente, porque havia uma espécie de exploração da mão de obra”.

“Mas agora, a gente tem um perfil que chama as pessoas a plantar e se integrar ao ambiente local com uma visão diferenciada para o meio ambiente, uma vez que esses agricultores geram um produto totalmente isento de pesticidas por se tratar de um sistema de cultivo de forma orgânica e certificada”.

  • Nomeada a madrinha do ‘Dia D Algodão’, Virgínia Veloso, avó do atual governador e pré-candidato a governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, se mostrou admirada com o que viu e assegurou apoio.

“Estou impressionada e encantada com o que vi aqui, como o algodão em Ingá e região está prosperando. Com certeza vamos reforçar o apoio à agricultura familiar trabalhando para que cresça ainda mais”.

Assinado termo de cooperação que beneficiará os agricultores

O ‘Dia D Algodão’ foi marcado também pela assinatura de um termo de compromisso institucional para formalizar compromisso entre os parceiros presentes, com o objetivo de manter permanente a comunicação, sempre com o intuito de beneficiar o agricultor, principal fio da cadeia produtiva.

Instituto de Incubação e Aceleração celebra o ‘Dia D Algodão’

  • Janaina Falcão, diretora-presidente do Instituto de Incubação e Aceleração, que atua no assessoramento, direito e defesa de direitos e serviços, falou sobre a valorização daqueles que estão na base da produção.

“O ‘Dia D Algodão’ é um espaço de escuta, mas para além disso nós trabalhamos para fortalecer essa cadeia produtiva e mostrar que o algodão orgânico pode gerar renda, inovação e novas oportunidades”.

Ideia compactuada pela fundadora do Instituto IA, Pryscila Dora.

“Nós trabalhamos na coletividade, valorizando todos os agricultores inclusive as mulheres, já que estamos no Ano Internacional da Mulher Agricultora”.

  • “Então é motivo de muita comemoração termos a ITACOOP com mais mulheres rurais do que homens e cada vez mais mulheres no cultivo do algodão”.

Sobre o algodão orgânico

  • A produção do algodão orgânico agroecológico paraibano é minuciosa.

Começa pela escolha do terreno e o preparo do solo sem uso de produtos químicos.

  • As sementes usadas são certificadas e as pragas são combatidas com biodefensivos, à base de extratos de plantas e óleos vegetais.

Entre as colheitas há uma pausa de três meses – chamado de vazio sanitário – necessário para que o bicudo – praga mais ofensiva à produção – não se alimente e morra, já que esse inseto consegue hibernar por cerca de dois meses.

A colheita é manual e o processo segue para a descaroçadora, que só está apta a receber o produto orgânico.

Em todo o processo não pode haver a utilização de maquinário que trabalhe com outros produtos que não orgânicos, para evitar a contaminação cruzada.

  • Até os sacos que embalam os fardos devem ser resultado de produção orgânica.

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