Adriana Crisanto Monteiro
Jornalista – DRT/PB nº 1455/02-99
Um grupo de mais de dez autores independentes, distribuídos por diferentes Estados do Nordeste, afirma ter sido vítima de um calote envolvendo a Editora Casa Ltda, empresa do Paraná que atua no setor de serviços editoriais.
  • Os relatos apontam prejuízos financeiros, descumprimento de contratos e interrupção da comunicação após a formalização dos acordos.
A escritora e professora Cristiane Coelho, de Salvador (BA), investiu R$ 3.200, há cerca de um ano, na produção da obra “Quem te ensinou a contar: descolonizando a Matemática”.
Segundo ela, o contato com a editora ocorreu por meio de uma rede social. 
  • A autora chegou a organizar o lançamento do livro na capital baiana, mas precisou cancelar o evento após não receber os exemplares previstos em contrato.
Desde então, Cristiane afirma tentar resolver a situação, mas diz ter recebido apenas promessas e justificativas.
  • Uma das explicações apresentadas pela empresa seria a realização de mudanças internas. 
“Me sinto frustrada e envergonhada. É o meu primeiro livro, parte de um sonho. Infelizmente, tive a trágica experiência de contratar essa editora”, relatou.
Outro caso envolve o professor de Letras Clássicas, Hamilton Medeiros, de João Pessoa (PB). 
  • Ele conta que, no final de 2023, encontrou nas redes sociais uma proposta de publicação de obras infantojuvenis em versões impressa e em braille. 
“Esse diferencial chamou minha atenção, pois ampliaria a visibilidade do meu trabalho, especialmente por se tratar de uma adaptação da mitologia grega com acessibilidade”, explicou.
  • Hamilton investiu R$ 1.890 na publicação da obra Apolo e Dafne. 
O contrato foi firmado em novembro de 2023 e, segundo ele, desde então, recebeu apenas justificativas vagas.
  • Em janeiro de 2025, após insistentes cobranças, foi informado pelo então editor responsável, Raphael Zanella, de que o material seria finalizado e disponibilizado em pré-venda no site da editora.
“Recebi a arte de divulgação e o link para a pré-venda. No entanto, ao questionar sobre a data de lançamento e a entrega dos 50 exemplares previstos em contrato, fui informado de que a impressão só ocorreria quando houvesse dinheiro em caixa”.
  • “Tentei diversas vezes obter prazos, mas as respostas eram sempre as mesmas: não havia previsão definida”, relatou.
Diante da situação, o professor acionou o Procon da Paraíba. 
  • A primeira audiência de conciliação ocorreu de forma virtual, sem a presença da editora. 
Na segunda, com representante da empresa, Hamilton afirma ter descoberto que sua obra já estava sendo comercializada em plataformas como Amazon, Mercado Livre e Casas Bahia, informação que, segundo ele, nunca lhe havia sido comunicada.
“Cheguei a comprar um exemplar do meu próprio livro no Mercado Livre”, contou.
  • Mesmo com o contrato quitado, o autor afirma ter sido informado de que a impressão dependia de disponibilidade financeira da empresa. 
“Me sinto enganado e decepcionado. No início, a editora parecia séria e comprometida, mas isso mudou após a assinatura do contrato”, disse.
  • Apesar de decisão judicial favorável, ele afirma não ter recebido indenização até o momento. 
O contrato permanece em aberto e o livro segue sendo comercializado sem que o autor tenha acesso a relatórios de vendas ou repasse de direitos autorais.
  • A obra Apolo e Dafne é considerada inédita no campo da literatura infantojuvenil de temática grega. 
O livro foi aprovado para participação em eventos nacionais e internacionais, incluindo a Bienal Internacional do Livro de Buenos Aires (Argentina).
  • Para viabilizar o projeto, o autor chegou a realizar uma campanha de arrecadação online.
A professora Jeane Miranda, de Bacabal (MA), também relata prejuízos. 
  • Sua obra, Casas de Todo Jeito, aborda de forma lúdica a convivência familiar, inspirada em contos clássicos.
“Apresento diferentes tipos de famílias a partir de personagens como Caixinhas Douradas e os Três Porquinhos”, explicou.
  • O projeto, segundo ela, foi um presente do esposo, motivado pelo sonho de publicar um livro. 
Após pesquisa, encontrou a editora em redes sociais, que oferecia condições consideradas atrativas.
  • O investimento inicial foi de R$ 1.500, destinado à produção de ilustrações e ao registro de ISBN junto à Biblioteca Nacional. 
“Paguei em março de 2025, mas só recebi esse material em setembro”, afirmou.
  • Jeane também relata insatisfação com as ilustrações entregues, que, segundo ela, não atenderam às exigências previamente acordadas, incluindo a restrição ao uso de imagens geradas por inteligência artificial. 
Após meses de impasse, aceitou a versão digital entregue em novembro de 2025.
“Foi quando veio o segundo golpe. Disseram que o livro estava pronto, mas que eu precisava pagar pela impressão”.
  • “Fiz um novo pagamento de R$ 3.750, com promessa de entrega em 20 dias, o que nunca aconteceu”, contou. 
Com base nas orientações da própria editora, Jeane iniciou a pré-venda da obra, mesmo sem possuir os exemplares físicos.
  • “Divulguei e vendi um livro que eu não tinha em mãos”, relatou.
A situação só foi compartilhada com a família recentemente.
  • “Eu tinha vergonha de admitir que havia caído em um golpe”, disse. 
A autora também precisou cancelar apresentações previstas em jornadas pedagógicas no Maranhão.
  • “Não pude cumprir meus compromissos por conta da irresponsabilidade da editora”, acrescentou. 
Segundo Jeane, após insistentes cobranças públicas nas redes sociais, recebeu um retorno de um representante da empresa, que pediu que ela parasse de comentar nas publicações.
“Ele disse que não enviaria meu livro enquanto não quitasse uma dívida com a gráfica. Ou seja, além de tudo, a editora também estaria devendo à gráfica”, afirmou.

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