
Hilton Gouveia
Especial para o BLOGdoGM
- Jorge Kasper Daininger.
Este é o nome de um alemão que, por não suportar os horrores do pós-trauma psicológico da Primeira Grande Guerra na Europa (1914 a 1918), resolveu embarcar como mecânico num submarino da Marinha Germânica e, por decisão própria desertou, ao chegar na Costa Norte de um Estado do Brasil, em 1920.
- De início ele foi parar em Rio Tinto, no Litoral Norte Paraibano, a 52 Km de João Pessoa, onde alguns de seus patrícios já trabalhavam numa fábrica de tecidos, pertencente ao grupo financeiro Lundgren, de origem sueca.

Lá, ele associou-se a um casal alemão, que era dono de uma oficina de automóveis.
- Kasper e o casal amigo se mudaram posteriormente para Alagoa Grande, no centro do Brejo Paraibano, de quem adquiriram outra oficina automobilística.
O casal sócio de Kasper resolveu rumar para outras plagas.
- Sozinho, Kasper criou uma fundição depois que demonstrou sua habilidade em consertar caldeiras de usina e fazer peças para essas máquinas, já que não tinham no comércio brejeiro – nem mesmo em Campina Grande ou João Pessoa -, resolveu permanecer ali, já que que, agora, em sua vida, surgiu Maria do Carmo – com quem casou -, filha de Flávio Clementino da Silva Freire, o histórico Barão de Mamanguape.

- Cônego Mathias Freire, neto do Barão de Mamanguape
Flávio foi casado com Carmen Freire, baronesa de Mamanguape, que era uma poetisa brasileira.
- Ele nasceu em 21 de agosto de 1816 e faleceu em 26 de agosto de 1900.
Freire foi deputado geral pela Parahyba do Norte e presidente da mesma província.
- Ele também foi senador do Império do Brasil e recebeu o título de Barão de Mamanguape por decreto imperial em 1860.

Falando português fluentemente, o alemão tratou de modernizar a oficina para conserto de máquinas de engenhos e usinas.
- Pois, com sua prestimosidade e talento, quando a peça com defeito não existia no Brasil e era inviável o conserto, Kasper as fazia e, muitas das vezes melhores do que as tradicionalmente fabricadas.
Sua criatividade fora do comum também criou desfibradores de agave e algodão, além de destiladores e moendas.
- Deixou o pessoal da terrinha curioso, ao instalar, no alto da torre da capela do Colégio São José um galo de metal, que ao girar indicava a posição do vento.
Contribuiu para instalar os equipamentos de trucagens do Teatro Santa Inês, a atração da Elite da cidade que o acolheu.
- Fazia questão de falar apenas o português.

Seu idioma natal só falava com alemães ou pessoas da terra que o entendiam.
- Por bons serviços prestados ao Brasil, recebeu o título de Cidadão Brasileiro, diretamente das mãos de Getúlio Vargas, no Palácio do Catete (RJ), no começo da década de 1940.
Marisa e Bavária, duas das filhas de Kasper, não se interessaram em aprender a língua do pai.

- Numa alameda privativa da família em Alagoa Grande, ainda moram Marisa e Roberto Deininger.
Milena, uma neta de Kasper, quando foi feita esta reportagem, já falava alemão e continua estudando esta língua, para perpetuar o idioma entre os parentes.
- Kasper, segundo seus familiares, não cultuava preconceitos, daí a sua fácil miscigenação com brasileira, paraibana e nordestina.

NOTA DO REDATOR DO BLOGdoGM – Não existem fotos conhecidas e nem retratos pintados à mão livre do Barão de Mamanguape.
- A família da Baronesa mantém um grupo de estudos de Genealogia que conseguiu recuperar uma imagem dela desenhada a lápis com tinta nanquim e outras imagens do Cônego Mathias Freire, neto dele, que dá nome a vários sodalícios em João Pessoa, inclusive ruas e escolas municipais, ambas no bairro da Torre.


