A demolição se iniciou pelo casarão da família Guedes de Almeida, depois vieram abaixo o antigo prédio da Prefeitura Municipal e o Centro de Formação dos Professores (Cefor).

  • É com profunda tristeza e sentimento de lamentação que testemunhamos, neste ano, a demolição de três importantes prédios que faziam parte da história e da memória de Bayeux: o casarão da família Guedes de Almeida, o antigo prédio da Prefeitura Municipal e o Centro de Formação dos Professores (Cefor).

O casarão da família Guedes de Almeida, construído na década de 1930, na Avenida Liberdade, representava um importante exemplo da arquitetura de uma época e guardava lembranças de famílias que ajudaram a construir a história do município.

  • A antiga Prefeitura Municipal, construída entre 1983 e 1985, também carregava consigo parte da memória política e administrativa de Bayeux, tendo sido sede do Poder Executivo e palco de importantes acontecimentos da vida pública do município.

Já o Cefor, inaugurado em 2001, foi um importante espaço dedicado à educação, à formação de professores, à cultura e ao conhecimento.

  • Em suas dependências funcionaram a Biblioteca Pública Municipal Virginius da Gama e Melo, o Auditório Professora Deuzuita do Nascimento Gomes, o Centro Histórico de Bayeux, além de outros serviços públicos.

É importante destacar que esses prédios não são tombados como patrimônio histórico.

  • No entanto, isso não significa que não possuam valor histórico, cultural e afetivo para a população.

Antes de uma decisão definitiva pela demolição, seria importante promover um diálogo com a sociedade, ouvir historiadores, pesquisadores, instituições culturais e, principalmente, a população, para saber se a comunidade concorda com a perda desses espaços que fazem parte de sua história.

  • A participação popular poderia contribuir para que decisões dessa natureza fossem tomadas de forma mais democrática e consciente.

Afinal, o patrimônio histórico não pertence apenas a uma administração ou a uma geração; ele pertence à memória coletiva de uma cidade.

A demolição desses três prédios não representa apenas a perda de estruturas físicas, mas também o desaparecimento de referências que ajudavam a contar a história de Bayeux.

Cada parede, janela, sala e espaço carregava memórias, acontecimentos e histórias de gerações.

  • Lamentamos profundamente que a cidade esteja perdendo, pouco a pouco, parte de seu patrimônio histórico e arquitetônico.

Uma cidade sem memória perde parte de sua identidade.

  • Preservar seus prédios históricos é preservar a própria história de seu povo.

Que os escombros desses três prédios sirvam, ao menos, como um alerta para que outros
patrimônios de Bayeux não tenham o mesmo destino.

  • Que possamos construir uma cidade onde o desenvolvimento caminhe ao lado da preservação, onde a modernização não signifique apagar o passado e onde as decisões sobre a memória coletiva sejam tomadas com diálogo e participação.

No lugar da prefeitura, a prefeita pretende construir um Centro Neurodivergente.

  • Já no lugar do Cefor, ela pretende construir o CEU – Centro de Cultura.

Ambos prédios públicos, foram demolidos sem uma consulta popular.

  • O último prédio é de propriedade particular, mas fazia parte da História de Bayeux.

Bayeux precisa crescer, mas também precisa lembrar.

Porque uma cidade que respeita sua história é uma cidade que respeita o seu povo.

Que possamos, juntos, construir um lugar onde a memória seja valorizada, preservada e respeitada.

EDIELSON GONÇALO GOMES
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Bayeux (IHGB)

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