
Por: Marcos Antonio Souto Maior Filho
- Uma das coisas que herdei do meu pai foi o gosto pela escrita.
Os dias não estão fáceis para mim, e por isso preciso me expressar da única forma que sei: escrevendo.
- Mas não quero escrever qualquer coisa.
Quero falar da gente, Pai.
- Das nossas besteiras, das pequenas coisas que me forjaram e me deram força para seguir a vida e criar meus filhos.
Poucas pessoas o conheceram como eu e meus irmãos.
- Para os outros, era o Desembargador Marcos Souto Maior.
Para nós, era Martonio.
- Um homem leve, engraçado, amigo para o que desse e viesse.
Mas, quando era preciso ir à luta, não fugia.
- Sempre dizia: “Morro atirando!”
E foi assim até o último momento.
- O senhor viveu 80 anos, 4 meses e 19 dias.
Foram 29.361 dias, ou 4.194 semanas e 3 dias, desde aquele 31 de maio de 1946 até o dia 19 de outubro de 2026.
- Para mim, e tenho certeza de que para todos os seus, foi muito pouco tempo conosco.
Que conta é essa que eu tenho de pagar, que leva embora o meu maior patrimônio?
- Não sei responder.
Sei apenas lembrar.
- E, como a nossa vida sempre teve endereço, resolvi contar estas lembranças não por datas, mas por lugares.

CAMBOINHA
- Camboinha é um capítulo à parte.
Desde 1979, todos os meus aniversários foram comemorados na calorosa e afável Praia de Camboinha, mais precisamente na Rua Francisco Pilar, 318.
- Foi lá que montamos juntos o meu trenzinho a pilhas do Mickey, presente do meu primeiro aniversário, que teve como tema o personagem de Walt Disney.
Lembro-me de nós dois sentados na areia branca, em frente à casa do Dr. Augusto Almeida, e do senhor dizendo, com os olhos no horizonte:
- “Eu gosto mesmo é de ver o mar, mas não de tomar banho de mar.”
Lembro-me da casa da árvore que construí com meu amigo Bebeto, com a sua permissão.
- Durou até o dia em que esquecemos uma vela acesa lá em cima e ela pegou fogo.
Aí o senhor mandou o caseiro desmontar.
- Lembro-me do seu atabaque de pele de animal, guardado sempre com todo o cuidado, e de como eu mexia nele.
Passava horas vendo o senhor tocar percussão, tentando aprender.
- Nunca fiz uma aula sequer, mas de tanto olhar acabei desenrolando.
Lembro-me das brincadeiras com a turma: Dr. Jair Cunha; Dr. Videres; o Gordo Ron, Ronaldo Mendonça, grande ortopedista, com o seu camarão “microscópico”; Dr. José Ari e a sua cerveja Malte 90 estupidamente gelada; Seu Maroja e as suas camisas de propaganda política.
- Lembro-me das cachaças no velho Cajueiro do Dr. Videres.
Em regime de mutirão, cada um levava a comida e a bebida, e ficavam todos lá o dia inteiro, até o pôr do sol.
- Rindo, bebendo, comendo, cantando… e, como o senhor dizia, sendo feliz!
Lembro-me do senhor me ensinando a dirigir, ali mesmo, no Gol BX de minha mãe.
- Lembro-me de irmos comprar peixe no mercado público de Cabedelo.
Todo mundo falava com o senhor, e eu ficava me perguntando se o meu pai era algum artista de televisão.
- Lembro-me de comprarmos material de pesca: varinhas de bambu, anzóis, linha de náilon, chumbadas.
E, no entanto, nunca pescamos de vara juntos, porque o senhor dizia que não tinha paciência.
- Gostava mesmo era da rede de arrasto, que era ligeira e pegava muito peixe.
Lembro-me de uma noite, com lampião na cabeça e dois puçás, ao lado de João Alberto, Jair Cunha e Beto, tio de Bebeto, em que o senhor saiu para pegar agulha.
- Pegaram poucas.
No dia seguinte, o senhor completou a quantidade na feira livre de Cabedelo, com Tico, o pescador.
- Se me perguntarem de qual festa o senhor mais gostava, não saberei escolher uma só.
Gostava muito de São João e de São Pedro; foi numa festa junina que pediu minha mãe em namoro.
- Mas sei que amava mesmo a festa de Momo.
Sempre foi louco por Carnaval.
- Lembro-me da Frasqueira, feita com tanto carinho pelo senhor, que reunia a sociedade paraibana nas avenidas de Camboinha.
Primeiro com uma charanga, depois com orquestra de frevo, até chegar o tempo da camisa padronizada.
- Lembro-me também do ano da recessão, quando ninguém mais queria fazer o Carnaval da Frasqueira.
O senhor juntou os doutores Ronaldo, Jair Cunha, Videres, Everton e Zé Ari, e fizeram “na tora”: compraram chope Brahma e cinquenta quilos de amendoim, dessa vez sem camisa nenhuma.
- A festa foi na casa de um grande engenheiro, Dr. Ivanildo Di Noar, a quem o senhor chamava carinhosamente de “meu cunhado”, numa alusão ao Dr. Ronaldo, que era o cunhado de verdade.
Ah, como o senhor sempre foi espirituoso e engraçado!
- Aquela Frasqueira foi mais simples, mas teve o mesmo sucesso e a mesma animação, com direito a maisena na cara, perfume do “peba” e muito chope com amendoim.
Nessa época, o senhor já tinha ampliado a casa de Camboinha para receber melhor os filhos e os amigos.
- Vem à memória a comida comprada “de fardo”, como o senhor dizia: fardo de macarrão, de arroz, de feijão, e manta de carne.
Lá em casa havia um quarto só para os amigos que vinham passar o veraneio, e o senhor, “carinhosamente”, o chamava de leprosário.
- Era um quarto no fim da casa, com quatro beliches, mas às vezes até colchão e rede entravam no “Carecas Bar”, como os meninos brincavam.
No leprosário estavam sempre Márcio Greyck, Braguinha, Alexandre (depois chamado de Tabosa), Fábio Mendes, Chico Negão, Abdon Neto, Gustavo Burgues, Dinho, Alexandre Macaco, Daniel Água de Coco, Gustavo Cutia, Dimitre Andrade, Bosquinho, Itapuã Botto, Sérgio Paraíba, o boxeador, Lula e André Chupão, Márcio Dará, Cândido Lucena, Fabiano Lucena e tantos outros amigos.
- Era a embaixada de Camboinha, o ponto por onde todos passavam para saber o que ia acontecer no dia.
Lembro-me do senhor me deixando nos assustados, nos shows, nas festas de quinze anos, no Caldo de Cana, nas festas do Caleidoscópio, no Jacaré.
- E, quase sempre, quando eu voltava, encontrava o senhor acordado, me esperando.
Lembro-me da lição de moral da primeira vez em que bebi além da conta.
- O senhor me apresentou a Oração da Fechadura e disse:
“Um dia você vai se lembrar disso, quando tiver filhos.”
- Ah, como lembro, Pai!
Lembro-me também da lição que veio com uma Brasília ano 1969, cor creme, que o senhor deu a mim e a Hiltinho.
- Esperava que a gente reclamasse.
Pois nós achamos o máximo, batizamos a nossa “Brazoca Erótica” e rodamos Camboinha inteira com ela.

A CASA DA BARRETO SOBRINHO
- Voltando um pouco no tempo, vêm à mente as coisas da casa antiga, na Avenida Deputado Barreto Sobrinho, onde morávamos ao lado da casa de Tia Lucicente.
Lembro-me da festa junina, eu vestido de matuto ao lado de Marlene: bigode feito com o lápis de mamãe, chapéu de palha, camisa xadrez e calça jeans com um retalho cuidadosamente costurado no joelho.
- O que mais me marcou foi a bainha dobrada, bem grossa, porque o senhor sempre comprava as roupas um número maior, para durar.
Até hoje eu rio disso.
- Lembro-me do dia em que fugi do Colégio Mickey, no Tambiá, na rua perpendicular à nossa casa.
Lembro-me da queda da cadeira em que cortei o queixo, e do buço cortado numa brincadeira de Hiltinho com o espremedor de laranjas.
- Lembro-me da final da Copa do Mundo.
Tínhamos um timaço e, mesmo assim, não vencemos.
- Mas, naquele momento de patriotismo verdadeiro, longe de qualquer política partidária, lá estávamos nós com meus primos mais velhos, Hilton José, Newton e Tadeu, bebendo, gritando e festejando, com uma bandeira gigante do Brasil tremulando e os fogos subindo ao céu.
Lembro-me dos carros oficiais, o Opala S da Chevrolet com marcha royal, que ficavam à disposição pelos cargos de relevo que o senhor sempre ocupou, como superintendente e secretário de Estado.
- E da Veraneio verde, com dois ares-condicionados, dirigida pelo saudoso Seu Careca, motorista leal de décadas, que o acompanhou do jornal A União à Sudepar, e da Sudepar ao Tribunal de Justiça.
Lembro-me do dia em que o senhor me levou para conhecer a casa onde nasceu e morou, na Rua Conselheiro Henriques, número 6, e me pôs na janela para tirar uma fotografia.
- E do dia em que me levou à Catedral para mostrar o Marco Zero de João Pessoa, me colocou em cima dele, tirou uma foto e contou:
“Na Festa de Nossa Senhora das Neves, seu avô Hilton tirou uma foto minha aqui, com um lambe-lambe.”
- Lembro-me do dia em que, sem querer, mobilizei o Estádio Almeidão inteiro.
Saí para brincar de esconder, e todos os funcionários da autarquia, inclusive Tania, a sua secretária, pararam o serviço para procurar o filho do superintendente.
- Quando me encontraram, eu estava sentado numa velha cadeira de palha, conversando com Seu Anastácio, seu leal amigo, que sozinho cuidava do gramado do estádio, enquanto ele tomava café com pão francês.
Lembro-me de brincar até cansar na Festa das Neves.
- Como Secretário de Cultura, Esporte e Turismo, o senhor tinha direito a uma cartela completa de tíquetes: roda-gigante, bate-bate, jogo de argolas, canoa louca, trenzinho da lagarta e tantos outros brinquedos.

A CASA DA SÃO PAULO
- Depois veio a era da Avenida São Paulo, 250.
O senhor começou a construir ali a casa dos seus sonhos, com projeto do amigo Regis Cavalcanti, cálculo estrutural de Brito Franca, e telhas e madeiras de lei trazidas pelo amigo João Alberto.
- Foi um tempo de aperto.
Ouvi, escondido, o senhor dizer que tinha dado um passo maior que as pernas.
- Mas tudo deu certo, Pai.
Como sempre.
- Lembro-me de quando a obra estava no primeiro andar e eu subi numa escada e furei a coxa num prego enferrujado.
Veio a injeção, e eu chorei bastante.
- Lembro-me das brincadeiras com Vestiga, que tinha sido pedreiro de Vovô Hilton e era, nada mais, nada menos, o pai de Zezinho.
O senhor o chamava de Galego Sarará, de velho safado e mentiroso, e Usulino ria às gargalhadas:
- “Só Doutor Marcos pode dizer isso com o chefe geral!”
Era tudo brincadeira, tudo amizade.
- O senhor era daqueles que almoçavam junto com os trabalhadores da obra.
Eles o tinham como amigo, e eu via isso.
- Lembro-me da bicicleta Monark BMX cinza, de rodas pretas e adesivo de pantera, que para mim era o melhor presente do mundo.
E do segundo melhor: um caminhão de madeira de quase um metro, cavalo branco, capô preto, faixas amarela, vermelha e preta, réplica de um Mercedes-Benz.
- Eu quis dormir com ele na cama.
Mamãe não deixou, mas ele passou a noite ao lado da minha cama.
- Lembro-me do nosso primeiro videogame, um Atari, na sala ao lado da sala de jantar, com todas as crianças da rua lá em casa.
Pipoca, sanduíche de queijo com atum e uma poncheira grande de suco de maracujá bem forte.
- Lembro-me de plantarmos no quintal os pés de oliveira, de goiaba e de coco.
Lembro-me dos banhos nos boxers Átila e Caleu, o número 1, meu primeiro cachorro: o senhor jogava água na boca deles e ia mudando a direção do jato só para vê-los pular.
- Lembro-me de vê-lo, todos os dias, saindo para buscar os jornais.
Quando eu ia junto, o senhor explicava:
- “Esse é o presente que todo ano dou à sua avó. Ela lê todos os jornais. Tem a assinatura do Correio, de O Norte e do Jornal da Paraíba.”
E lembro-me das tardes com Duda Lundgren, nosso vizinho, dando voltas no quarteirão entre a São Paulo e a Rio Grande do Sul, com a sua autorização, até ficarmos suados.

OUTRAS COISAS DA VIDA
- Lembro-me de quando o senhor nos levava à casa de Vovô Hilton para pegar jambo e conversar bobagem.
E de como gostava de contar a história de vovô e vovó.
- Vovô perguntava: “Vamos aonde, Adelia?”
Ela respondia: “Vamos passar na casa dos nossos amigos, Hilton.”
- E vovô arrematava: “Adelia, se é para passar, vai ser muito rápido. De carro, a gente nem vai ver as pessoas.”
O senhor contava essa história rindo, quase gargalhando, como contava todas as histórias de vovô.
- Dizia: “Seu avô era um homem de garbo. Lindo e cheiroso. Saía de casa impecável, de paletó de linho e bem perfumado.”
E sua avó nunca demonstrou ciúme… até o episódio de um certo cheque, encontrado na frente da casa da Santos Dumont.
- Contava também que, quando alguém encontrava vovô na rua e perguntava “Como vão as coisas, Seu Hilton?”, ele respondia na hora:
“Fora as desordens, está tudo em ordem!”
- Lembro-me do senhor, junto com minhas tias, fazendo a feira de vovô e vovó sem que eles soubessem, porque a aposentadoria já não dava para o básico.
Isso diz muito sobre quem o senhor foi: um filho que honrou pai e mãe.
- Sempre presente, em todos os momentos, como a locomotiva que puxa todos os vagões.
Quero que saiba, Pai, que o exemplo arrasta, e eu sigo pelo mesmo trilho.
- Pois bem, voltando à nossa viagem.
Já mais velho, lembro-me do senhor me levando ao Vermelho e Branco do Clube Cabo Branco, ao Verde e Branco do Jangada Clube, ao Baile do Havaí do Iate Clube, e aos assustados no Bairro dos Estados, quando eu começava, com os amigos Carlinhos e Halan, a aprender a dançar lambada em casa.
- Lembro-me da sua serenidade quando contei que tinha batido o carro, por descuido, numa viagem com Alexandre Fiuza e Gustavo, em frente a uma organização militar na beira-mar de Jaboatão dos Guararapes.
Seu amigo Geraldo Carvalho, da Proserv, consertou o meu Gol 1000, placa TK-2122, aos poucos e bem devagar, para servir de castigo.
- Lembro-me de quando pedi para fazer cursinho e mudar de colégio.
Mesmo contra a opinião de mamãe, o senhor decidiu:
- “Para o estudo, nada vai lhe faltar. Estude e seja o melhor.”
Lembro-me da viagem até Sousa, quando fui estudar na UFPB, no Campus VI.
- Fomos na sua Pajero verde, conversando a viagem inteira.
No meio do caminho, ainda na ida, uma ave de grande porte, uma seriema, cruzou a frente do carro e estilhaçou o vidro.
- Paramos numa cidade, compramos fita crepe, remendamos o vidro e seguimos viagem.
Atrás de nós vinham o motorista Geraldo Fonseca e Zezinho, pedreiro, segurança e “faz-tudo”, num Monza SL cinza, levando o que não coube na Pajero.
- O único pedido que eu fiz para a minha temporada em Sousa, o senhor atendeu de pronto: um ar-condicionado.
Zezinho instalou a caixa na parede, chamaram um eletricista da cidade e tudo deu certo.
- Naquela mesma noite, eu já dormi no ar.
Antes de voltar, o senhor me levou para almoçar no Hotel Gadelha.
- Comemos um filé ao molho madeira e, logo depois, o senhor foi encontrar o Juiz de Direito, Dr. José Normando Fernandes, para deixar algumas “recomendações” sobre mim.
Por ironia do destino, décadas depois, fiz o mesmo com Marcos Neto, em Cajazeiras.
- Lembro-me de um segundo momento de serenidade, quando fui lhe contar que minha namorada da época estava grávida.
O senhor ficou inteiramente ao meu lado, me aconselhou, me deu segurança e amparo, e tomou a frente daquele momento delicado.
- Foi muito importante para mim.
E lembro-me de quando o seu neto primogênito estava para nascer e o senhor estava viajando: esperamos um dia pela sua volta, com a parturiente já no hospital.
- Lembro-me da batalha que o senhor travou no Tribunal de Justiça, sempre de cabeça erguida.
Um dia me disse:
- “Estou certo, tenho bons propósitos e não vou baixar a cabeça para esses abutres, que querem politizar o tribunal.”
Estivemos juntos naquela travessia.
- No início, fiquei um pouco de fora, porque era servidor do TRE-PB.
Depois tomei a frente: fomos à reunião com o seu primeiro advogado, o Ministro Fernando Cernichiaro, e seguimos sob a batuta do Ministro José Eduardo Alckmin, que conheci quando fui servidor da Justiça Eleitoral.
- Foi uma batalha e tanto, contra o poder e a força.
Mas, como o senhor gostava de dizer:
- “Venci todas. Arquivei todas as denúncias. O bem venceu.”
Eu atribuo a essa última batalha a chegada do Alemão, como chamávamos esse Alzheimer traiçoeiro que veio buscá-lo, Chefe.
- Foi muita pressão, foi muita injustiça.
Dali em diante começou a outra luta, e nela o senhor também nunca se deixou abater: tratou-se, pediu que o ajudássemos no tratamento, fez tudo o que estava ao seu alcance.
- Lembro-me de que o senhor foi o meu único convidado na posse como Juiz do TRE-PB, e falou em nome da OAB-PB, porque a posse foi rápida e inesperada.
Foi o maior orgulho da minha vida.
- Naquele instante, lembrei da minha formatura, quando o senhor foi o paraninfo da minha turma de Direito.
O senhor esteve presente em todos os momentos importantes da minha vida.
- Foi o meu primeiro professor e o mais especial de todos.
Hoje luto para ser assim com os meus filhos.
- E não posso deixar de lembrar do seu neto predileto, o meu Isaaquinho, a quem o senhor chamava, brincando, de Isaac Karabtchevsky, em alusão ao grande maestro brasileiro que conheceu pessoalmente.
Isaaquinho sempre foi o seu Assessor Chefe, e tinha até a senha da sua conta!
- Pai, o senhor tinha cada uma…

ATÉ A PRÓXIMA TOCADA
- No meio de tudo isso, tivemos muitas outras alegrias com os encontros da sua banda, a Bandeite, formada por amigos de colégio: o senhor na bateria, Cabrinha no trompete, um amigo no violão, outro no teclado e outro no sax alto.
Um dia perguntei por que a banda se chamava Bandeite.
- O senhor riu e respondeu:
“Bifuzo, é Bandeite porque é uma banda quase deitando… estamos todos perto de morrer.”
- E sorriu para mim com aqueles seus lindos olhos azuis.
E, enquanto a Bandeite tocava, onde eu estava?
- Lá, todo enxerido, sem saber tocar coisa nenhuma, mas me esforçando muito para ficar ao lado do meu pai, do meu herói, do homem que aprendi a amar com todas as forças.
Pai, não é fácil.
- Vou honrar o nome que carrego com tanto orgulho.
Prometo cumprir tudo o que está aqui: cuidar do trabalhoso Hiltinho e das suas flores, Raquel e Adelia, sem deixar faltar nada.
Agora o senhor foi na frente.
Vá afinando a bateria, Pai, que um dia a gente se encontra.
Até a próxima tocada.

Marcos Antonio Souto Maior Filho

