
Hilton Gouveia
Especial para o BLOGdoGM
Quem só viu cenas de garimpo e garimpeiros nos filmes de faroeste, prepare-se para o fator surpresa porque, aqui em Catingueira, a 383 KM de João Pessoa, no Vale do Piancó, em pleno sertão meridional da Paraiba, ainda existe um, que além de esporadicamente ainda fornece algumas pepitas, e tem uma história que qualquer estudioso gostaria de saber.
- Essa narrativa envolve amor, aventura e muita ação passada no Sertão Paraibano, que só os contemporâneos do garimpo sabem relembrar.

Aconteceu, também, nessa história por singulares coincidências.
- O arrojado bandeirante Pascácio de Oliveira Ledo, membro da Casa da Torre(BA) raptou, no interior baiano, uma moça aprincesada, filha do nobre Domingos Mafren.
O nobre não gostou da ousadia de seu subordinado e mandou seus comandados perseguir o casal e trazer os noivos vivos ou mortos.

- Pascácio acomodou sua amada na parte dianteira da sela, fincou as esporas no alazão e danou-se em partes essas do Rio São Francisco e conseguiu, de qualquer jeito, chegar em Itapetim(PE), depois Taperoá(PB).
Após 18 horas de fuga, o bandeirante se convenceu de ter enganado seus perseguidores e parou numa clareira, onde montou um taipiri, para pernoitar com a sua musa.
- NOTA DO REDATOR DO BLOdoGM – Taipiri, de origem no idioma tupi-guarani, quer dizer palhoça, choupana construída para abrigar provisoriamente viajantes, geralmente construídas em uma ribanceira na margem de rio.

Antes, ele formou uma trempe com 3 pedras apanhadas na área, para acender o fogo e preparar a comida.
- Qual não foi a surpresa do mateiro, ao notar que uma das pedras derreteu com a quentura e revelou seu conteúdo: ouro.
Dudu Torres Villar, descendente direto da linhagem dos Oliveira Ledo, quando vivo nos mostrou provas de que Pascácio deixou uma casa na zona rural de Taperoá, onde seus descendentes ainda guardam uma roupa de bebê, uma pedra-mor, uma espada e duas adagas.

- As fotos dessas peças estão no arquivo do jornal A União até hoje .
Bem, Pascácio guardou o segredo do ouro de Itajubatiba.
- Mas, 300 anos depois, exatamente em 1945, o caçador conhecido por Chico Veado, passou perto da atual Itajubatiba e ao interromper seu percurso para sua mulher urinar, descobriu que a marca no chão que ela fez involuntariamente, revelou por acaso uma pepita, de aproximadamente 38 gramas.

Então, segundo testemunho de Dão Pereira, ex-prefeito de Catingueira, Itajubatiba passou, em poucos dias, a abrigar mais de 5 mil pessoas.
- Ainda hoje, Itajubatiba produz ouro, mesmo em pequenas quantidades.
O fotógrafo Augusto Pessoa fez um documentário fotográfico de Itajubatiba, que saiu até na Revista Geográfica.

- Segundo informações colhidas na área de Itajubatiba, florescem ainda hoje em dia algumas pepitas, entre as muitas jazidas de ouro cadastradas pelo Governo Estadual no Vale do Piancó e nas Pedreiras das Serras das Minas, em Princesa Isabel (PB).
Entre as fotos de Augusto Pessoa, em Itajubatiba, estão registradas a pesagem de ouro, na década de 1990 e as áreas rasas do Rio São Francisco.
- NOTA DO REDATOR DO BLOGdoGM (1) – As últimas notícias sobre garimpos irregulares encontrados na zona rural da cidade de Princesa Isabel, no Sertão paraibano, dizem que eles foram alvos de uma operação realizada no final de 2023, que combateu a extração ilegal de recursos minerais, realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Polícia Militar da Paraíba e a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema).

Itajubatiba é atualmente um distrito do município de Catingueira, no Estado da Paraíba, com cerca de apenas 250 habitantes, subordinado à Região Metropolitana de Patos, ficando a 16 km da cidade conhecida como “A Morada do Sol” ou “Princesinha do Sertão”.
- Foi um grande centro econômico, no século passado, devido à extração de ouro, sendo a partir daí, popularmente conhecida até hoje como “A Mina do Ouro”.
A única mina de ouro remanescente e oficialmente catalogada pelos Governos Estadaual e Federal pertence à Crusader do Brasil Mineração Ltda e consiste em 3 concessões, cobrindo uma área total 30 km².

- NOTA DO REDATOR DO BLOGdoGM (2) – Vila Itajubatiba: um legado histórico e cultural incalculável.
Nestes vídeos abaixo, você conhecerá a Vila Itajubatiba, um patrimônio histórico e cultural da Serra da Catuama (Paraíba, Nordeste) geograficamente considerada um esporão geológico e que tem uma elevação de 445 metros.
- A vila foi fundada no século XVIII e, durante muitos anos, foi um importante centro de mineração de ouro.
O vídeo cortado em trechos menores é uma parte do documentário “O país de São Saruê”, dirigido pelo cineasta Vladimir Carvalho.

- O documentário foi produzido em 1970 e censurado pela ditadura militar até 1979.
Nos vídeos, você verá imagens da vila, seus moradores e sua história.
- Você também ouvirá depoimentos de moradores que contam como era a vida na vila durante os anos de ouro.

