Os deuses astronautas da Lagoa do Caju existiram de verdade?

Nave espacial, Lua, Sol e cometas integram as gravuras de um rochedo localizado na zona rural do município de Araçagi, próximo à cidade de Guarabira, a “Rainha do Brejo”.

  • Local despertou crendices ao longo do tempo, desde sua descoberta em épocas imemoriais.

Por: Hilton Gouveia
Especial para o BLOGdoGM

Por enquanto, essas insculturas são de difícil acesso, por se localizarem em mata fechada, pontilhadas de vegetação da caatinga, como cactos, macambiras, bromélias, caruatás, cajazeiras e gravatás. Esconderijos naturais de repteis venenosos.

  • Mas, nem isso é bastante para proteger o Santuário da Lagoa do Caju, pois ações erosivas e atos de vandalismo já são notados sobre o painel.

Os sulcos das gravuras, atualmente, apresentam pouca profundidade.

  • Contribui para isso a ação do tempo.

Daí porque os grupos de estudiosos interessados em preservar o local pensam em implantar projetos para gerar renda e um desenvolvimento sustentável de educação ambiental no setor, com vistas a proteger o que, futuramente, pode ser transformado num Santuário Ecológico.

 

  • O que fazia um cachimbo de barro, tratado com tintas argilosas, encontrado na zona rural de Araçagi, localizada a 89 km de João Pessoa, se os índios daquela região – Tabajaras e Potiguaras -, não usavam esses tipos de pitos?

A Sociedade Paraibana de Arqueologia, com assento na UEPB, em Campina Grande, supõe que o objeto pode ter origem em civilizações antigas que habitaram o Brejo Paraibano, num período de transição bem arrojado, como a ocorrência de povos diversos em movimentos massivos, procurando outros lugares para morar ou fugindo para alhures, acossados por vizinhos hostis, pragas ou solos que deixaram de ter caça e pesca abundante.

Os cachimbos indígenas podem ser de madeira, barro, que variam nos formatos tubulares ou angulares.

  • Nesta questão, é preciso saber se o cachimbo de Araçagi era utilizado por tupis (Potiguaras e Tabajaras) ou por índios da Grandes nações Cariri ou Tarauriu, que pelo menos na época da dominação holandesa, apareciam muito por aqui, principalmente na época do caju, já que essas duas nações eram aliadas dos batavos ou neerlandeses.

De acordo com estudiosos da UEPB, fossem os pitos largos ou de madeira, existiam uns que cabiam dentro deles uma mão inteira de fumo, mas nenhuma dessas proporções são observadas no cachimbo de Araçagi.

  • Historiadores apontam que no Museu Histórico de Copenhague, na Dinamarca, existe a pintura do quadro de um Tapuia fumando um longo cachimbo.

Mas, como os pintores que acompanharam o Conde Maurício de Nassau aqui no Brasil durante a ocupação holandesas só retrataram homens e mulheres Taraurius ou Cariris, seus aliados ao lado de potiguaras, é bem provável que o cachimbo de Araçagi provenha de uma dessas nações.

  • O pesquisador Leon Clerot, num golpe de sorte, em 1930, achou um cachimbo similar em Mulungu-PB.

O professor de Geografia Humana da UEPB, Carlos Belarmino (in memoriam) dizia que:

  • “Esta peça pitosa achada em Araçagi seria a chave do mistério que a arqueologia busca desvendar, sobre os índios paraibanos.”

Outro arqueólogo, Jurandir de Souza, da UFPE, acredita que este cachimbo poderá concentrar discussões da sua provável origem pré ou pós Cabralina (antes ou depois do Descobrimento do Brasil, em 1500).

  • O respeitável Horácio de Almeida explica que:

“Antes da chegada do português ao Brasil haviam muitas correntes humanas em trânsito, compostas por povos em marcha, forçados por problemas climáticos, falta de alimentos ou impelidos por povos mais fortes, que se mudavam para outros horizontes.

NOTA DO REDATOR DO BLOGdoGM – Neste caso específico de Araçagi, o falecido professor Carlos Belarmino, ao lado da pesquisadora Silvinha França, são os responsáveis pela descoberta e apresentação do cachimbo aos estudiosos especialistas no assunto, que foi levado para exames por arqueólogos da UEPB, vinculados à SPA (Sociedade Paraibana de Arqueologia).

  • CRÉDITOS DA MATÉRIA ACIMA:
  • EDIÇÃO, DIAGRAMAÇÃO E PROGRAMAÇÃO VISUAL – Giovanni Meireles
  • FONTE DAS PRINCIPAIS INFORMAÇÕES ARQUEOLÓGICAS – Silvinha França
  • CRIAÇÃO DE ILUSTRAÇÕES COM USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Beth Menezes
  • FOTOGRAFIAS ORIGINAIS – Arquivo Pessoal de Silvinha França e Pesquisa na Web

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